Sempre que cai um temporal sobre o Rio Grande do Sul – daqueles que assustam de verdade – a consequente incomodação é o corte da energia elétrica e a seguinte é o telefonema para as concessionárias Equatorial e RGE, responsabilizadas pela “falta de luz”. São milhares de ligações e, muitas vezes, as centrais de atendimento ficam congestionadas e os consumidores insatisfeitos com as respostas sobre o tempo que ficarão no escuro. É assim e até a responsabilidade ser apurada, o consumidor explode em saudosismo entrando na sua rede social e lamentando que “no tempo da CEEE o serviço era melhor.” Nas áreas urbanas já existe o diagnóstico e todos nós sabemos que árvores condenadas desabam com a força dos ventos sobre a fiação, sobre os transformadores, veículos e residências. Aí, as concessionárias são chamadas para o desligamento das redes atingidas cuja principal tarefa é evitar tragédias como incêndios e descargas elétricas com possíveis vítimas. Após a primeira intervenção, chegam os técnicos das prefeituras que sabem como resolver preventivamente o problema causado pelo temporal: a manutenção dos cortes dos galhos apodrecidos das velhas árvores, a qual deveria ser permanente. Rua por rua, em dias de sol com a cidade mapeada em áreas onde a fiação já foi coberta pela galhada das árvores. Não é uma tarefa fácil, mas é perfeitamente realizável se os prefeitos e seus técnicos tivessem um organograma competente para ser aplicado todos os dias. No entanto, fica mais fácil culpar as concessionárias que quando assumiram a CEEE não tinham como responsabilidade fazer o trabalho de cortar galhos e zelar pela arborização das cidades. O compromisso das concessionárias é o fornecimento de energia elétrica e não o de se curvar para políticos que ameaçam CPIs e denúncias na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pelos “maus serviços”. Enquanto a rede elétrica for aérea, temporais trarão cortes de energia. Pela forma como é tratada politicamente a falta de energia em dias de temporais severos, até parece que a Equatorial e a RGE sentem prazer em desligar a luz das casas dos consumidores. Para terminar: se os consumidores de energia elétrica por ventura arriscarem a cortar os galhos das árvores em frente de suas residências, ainda podem ser multados pela turma do verde que trabalha nas prefeituras. E la nave va...
RESCALDO DA PAULISTA (1)
A manifestação na Avenida Paulista no último domingo teve um efeito paralelo, além do grito “anistia já”. Estavam no palanque de Jair Bolsonaro sete governadores, todos eles com um olhar nas eleições de 2026 e na avaliação dos brasileiros sobre o evento. Quatro deles pensando no Palácio do Planalto.
RESCALDO DA PAULISTA (2)
Dos sete governadores, quatro estão atentos a uma inelegibilidade de Bolsonaro: Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União-GO). Suas presenças no palanque mostraram que não querem “ficar de mal” com o poderoso eleitorado bolsonarista, em 2026.
CIDADANIA ESPANHOLA
O governo da Espanha vai restringir a concessão de cidadania em outubro deste ano. A lei que permite a filhos, netos e também a bisnetos e trinetos de espanhóis perderá a validade naquele mês. Os interessados têm um prazo até 21 de outubro para o ingresso do pedido de cidadania.
DOIS EM UM
O juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis, do TJ/SP, enganou a Justiça paulista por 45 anos sob a falsa identidade de Edward Albert Lancelot Wickfield. Além de ser uma afronta ao Estado deixa uma pergunta intrigante: Como ficam as decisões proferidas por ele?
BRASIL, CHINA E ESTADOS UNIDOS
Da China vem produtos para o Brasil na ordem de US$ 63,6 bilhões. Dos Estados Unidos a importação atinge a US$ 40,6 bilhões. Dependemos de ambos para a nossa economia. Logo, antes de se declarar “guerra verbal” nesta disputa gigantesca entre China e EUA, recomenda-se deixar baixar a poeira.
SOMOS PEQUENOS
Donald Trump está provocando uma nova ordem econômica no mundo e o Brasil tem pouca diversificação no comércio internacional e baixo poder de competição. Temos margem restrita para manobras neste universo de negócios, já que figuramos com apenas 1,5% na movimentação global desse intrincado mercado.
PENSAMENTO GAUDÉRIO
Leonel Brizola nunca cansava de falar sobre situações semelhantes como a briga que se avizinha entre China e Estados Unidos: “Em briga de cachorro grande guaipeca não se mete”.
REFORMA À VISTA
O governador Eduardo Leite prepara uma reforma de seu secretariado que vai movimentar, pelo menos, de cinco a seis secretarias.
