O presidente Donald Trump está blefando quando impõe tarifas de importação a todos os países que exportam para os Estados Unidos? Na prática ninguém pode lhe tirar a razão para suas regras de reciprocidade com nações que negociam com a maior economia do mundo, além de sonhar com o retorno das fábricas americanas que deixaram o país e se instalaram predominantemente na Ásia em busca de custos baixos e consequentes lucros muito altos. Mas Trump quer algo assim como “quem quiser vender produtos que já foram fabricados nos Estados Unidos que voltem para cá”. Mas é aí que a porca torce o rabo, uma vez que os americanos ganham fortunas com suas fábricas nos países asiáticos vendendo para o mundo, automóveis, equipamentos complexos e até manufaturados. Hoje, qualquer produto que exija mão de obra, ninguém consegue equiparação com os países asiáticos por uma razão óbvia: China, Vietnam, Tailândia, Paquistão, Indonésia, Índia, Bangladesh não tem legislação trabalhista, sindicatos, horário de trabalho e são pouquíssimos os dias de férias. Notem que não citei nem o Japão nem a Coreia do Sul porque ambos já não podem mais competir com seus vizinhos asiáticos e, no entanto, quem não lembra dos eletrônicos coreanos e japoneses inundando com seus manufaturados os mercados ocidentais? É preciso dizer que os Estados Unidos estão num outro patamar de sua economia quando os empregos significam 80% no segmento dos serviços não agrícolas e a manufatura responde por apenas 8% quando em 1973 eram 25%. A situação atual é o tal point of no return e Trump sabe disso. O seu país é imbatível nas exportações de softwares e em tudo o que se relaciona com o mundo digital, além de entretenimento e serviços financeiros de qualquer ordem. Os Estados Unidos se transformaram na maior potência econômica do planeta porque sempre investiram na livre iniciativa e na competição, nunca com isenções e créditos tributários. Se o retorno das fábricas que deixaram os Estados Unidos ocorrer por causa dos incentivos prometidos por Trump, o maior legado americano – concorrência com dinamismo – poderá ficar em perigo.
O colunista acertou
Fareed Zakaria, do jornal Washington Post, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, acha que o sonho manufatureiro de Donald Trump é uma miragem. Diz ele: “A ideia de ressuscitar o crescimento americano com indústrias e fábricas já se mostrou ultrapassada em países como Japão, França, Reino Unido, Canadá e Alemanha”.
Mudança de hábito
É dele também a observação sobre mudança de hábito do consumidor mais consciente. “À medida que ficam mais ricas e mais escolarizadas, as pessoas gastam mais em serviços do que em bens de consumo.”
Exportação imbatível
Os Estados Unidos exportam serviços sofisticados no valor de 1 trilhão de dólares anualmente e os empregos nas áreas profissionais e empresariais pagam uma média de US$ 43,60 por hora enquanto trabalhadores do setor de manufatura ganham US$ 34,83 pelo mesmo tempo.
Bananão partidário
Como se já não bastasse o exagerado número de partidos políticos no Brasil – atualmente são 29 entidades – o TSE analisa a possibilidade da legalização de outros 20 partidos. Pode se dizer que tal situação resulta na impossibilidade de prefeitos, governadores e presidente da República terem qualquer chance de governabilidade sem o uso do toma lá dá cá.
Mãos amarradas
Nenhuma democracia representativa pode ter em funcionamento 29 partidos, como é o caso atual do Brasil. Qualquer chefe de executivo torna-se refém de facções partidárias e estas com seus representantes eleitos transformam as casas legislativas em assembleísmo e populismo vulgar.
Como entender?
O projeto que limita os salários que passam do teto constitucional tem como objetivo economizar as folhas de pagamento no serviço público nacional. Análise de dez entidades concluiu que em vez de economia os gastos aumentaram em R$ 3,4 bilhões por ano.
Só para lembrar
Nos Estados Unidos, a aposentadoria média paga pela Previdência Social equivale a 44% do último salário recebido pelo trabalhador americano. Lá na terra de Donald Trump não existem aposentadorias integrais para o funcionalismo público.
