Rogério Mendelski

Os próximos passos de Lula

Se Lula quiser mesmo apoio de maioria na Câmara vai ter de sacrificar cargos que hoje estão com o PT, o PSOL, o PTB e o PCdoB.

O primeiro desafio de Lula para estabelecer uma relação mais amistosa com o Congresso Nacional é o de melhorar a sua aprovação popular. É dela que virá uma situação confortável com a Câmara e o Senado e não é difícil de entender, pois deputados e senadores já estão pensando nas eleições do próximo ano e nenhum político em tempo eleitoral gosta de associar a sua imagem a quem não tem a maioria da simpatia do eleitorado. O melhor exemplo real aconteceu em 2018 e 2022 quando milhares de candidatos se abraçaram na popularidade de Jair Bolsonaro e conseguiram se eleger. Em 2018, o então PSL (mais tarde PL) tinha um deputado e abrindo apoio a Bolsonaro fez uma bancada de 52 deputados. Em 2022, já como PL, elegeu 99 deputados e se tornou a maior bancada da Câmara. Mas bastou Bolsonaro não se reeleger para o PL perder cadeiras durante o mandato de Lula. O PL tem hoje 76 deputados. Nesta dinâmica de troca-troca rigorosamente fisiológica é que Lula precisa elaborar sua estratégia para 2026, pois é de sua popularidade através de pesquisas que o presidente vai governar agora com novos presidentes no Senado e na Câmara. O Centrão sob o comando de Arthur Lira vai incomodar, assim como o PSD e o União Brasil. Todos querem mais cargos na tão anunciada reforma ministerial e se Lula quiser mesmo apoio de maioria na Câmara vai ter de sacrificar cargos que hoje estão com o PT, o PSOL, o PTB e o PCdoB. O toma-lá-dá-cá vai se intensificar em 2025.

Relação institucional piorou

A consultoria Arko Advice publicou um estudo sobre os percentuais de apoio do Congresso aos projetos de Lula. Talvez o referido estudo é que tenha obrigado Lula a modificar a sua comunicação social e talvez repensar na sua relação institucional com deputados e senadores.

Os resultados

Ainda de acordo com a Arko Advice, em 2024, no exame de 240 votações nominais e abertas, o apoio ao governo foi de 53,73%. Em 2023, o apoio a medidas governamentais foi de 58,11%. Lula não suporta tais percentuais, pois sabe que as oscilações de apoio e rejeições vão continuar neste ano.

Pouca influência

As eleições na Câmara e no Senado tiveram uma influência mínima de Lula que teve de aceitar Hugo Motta e Davi Alcolumbre e uma demonstração de força política do Centrão, o grande vencedor das escolhas dos novos dirigentes do Congresso.

Perdeu o trem

Políticos influentes e considerados velhas raposas brasilienses dizem que se Lula tivesse agido antes da eleição dos presidentes das casas legislativas promovendo a reforma ministerial, sua força estaria mais musculosa.

A reforma ministerial atrasada

Se a reforma do ministério ocorresse antes da eleição no Congresso e tendo Lula como o grande patrão, distribuindo cargos importantes aos partidos ligados ao Centrão, haveria o compromisso dos agraciados aceitando a influência do presidente no processo eleitoral e até na composição de cargos na Mesa e nas comissões técnicas.

Carteiraço de quem manda

As vitórias arrasadoras de Davi Alcolumbre (73 votos dos 81 senadores) e de Hugo Motta (444 votos de 499 deputados votantes) foram a demonstração de real poder do Centrão. Agora, se o governo não prestigiar o Centrão os ruídos entre o Congresso e a Câmara continuarão retumbantes.

Padilha a perigo

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, nunca teve o indispensável trânsito no Congresso para realizar sua tarefa de costurar os interesses do governo. O PSD quer o cargo. Lula talvez tenha de ceder...

Simon, o líder

Emocionante a homenagem que os amigos e admiradores de Pedro Simon fizeram ao grande líder politico no dia dos seus 95 anos. Simon recebeu o abraço de 350 amigos mais importantes de sua trajetória de homem público. O ex-governador e ex-senador continua sendo uma rara referência de ética e decência na política brasileira.