Rogério Mendelski

Stédile merece a Medalha Farroupilha?

A condecoração foi criada em 1995. Stédile a merece? A resposta é não.

A Medalha do Mérito Farroupilha é a distinção máxima da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul. É uma medalha destinada a pessoas que contribuíram para o desenvolvimento econômico, social e cultural do Estado. A condecoração foi criada em 1995. Stédile a merece? A resposta é não. Não merece pelo raso motivo de não se provar a contribuição de João Pedro Stédile, líder máximo do MST, ao desenvolvimento econômico, social e cultural do RS. Ao contrário, Stédile é um incentivador da intranquilidade no campo e ainda se vale de um discurso do século passado que chega a ser constrangedor quando suas palavras vão de encontro à realidade atual do nosso agronegócio. São de Stédile declarações tais como “O agronegócio se baseia no monocultivo de apenas cinco produtos: soja, milho, cana-de-açúcar, algodão e pecuária bovina intensiva, commodities para exportação e não para resolver os problemas do povo”. Errado. Nos estados onde existe a narrativa de Stédile é lá que está o progresso e a cultura da terra neste século que não aceita mais o “romantismo” violento da revolução zapatista que é uma das fontes de inspiração do líder do MST. A proposta do título para Stédile é do deputado Adão Preto Filho. Seu irmão, Edegar, hoje na Conab, tentou dar a mesma medalha para Evo Morales quando era deputado estadual. Recuou depois da grita geral do lado decente deste Estado que não via motivos para aquela homenagem a uma figura que, provavelmente, não saberia mostrar no mapa a localização do RS. Portanto, fica um apelo ao deputado Adão Preto Filho: retire a homenagem a Stédile que ainda dá tempo. Não traga para a Assembleia Legislativa o cheiro de naftalina de ideias atrasadas, agressivas, que só incitam a discórdia no campo gaúcho, hoje um dos mais desenvolvidos na área do agronegócio.

Protesto bem elaborado

O deputado estadual Capitão Martim (Republicanos), uma das grandes revelações desta legislatura, já tem mais de 25 mil assinaturas em repúdio à medalha para João Pedro Stédile. Não seria inteligente o próprio Stédile não aceitar a homenagem, acabando com o constrangimento?

O exemplo de Roraima

Um ano após a retirada total de proprietários rurais da terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, a produção de arroz no estado retrocedeu ao nível de oito anos atrás, de acordo com a Conab (órgão ligado ao Ministério da Agricultura). Com o menor PIB do país, o estado tinha no cultivo de arroz uma das três principais atividades econômicas privadas.

Voz das ruas

Um leitor esquerdista me mandou uma mensagem dizendo que o MST ouve a voz das ruas e por isso exige reforma agrária. Engano clássico. Quem ouve a voz das ruas, todos os dias, são os taxistas e os operadores de aplicativos.

Suspeita binacional

A cidade de Hernandarias fica no Paraguai, bem perto de Foz do Iguaçu. Pois o município paraguaio ganhou 700 mil dólares para sua decoração natalina através de uma ONG local, mas o dinheiro teria vindo da Itaipu Binacional. Parlamentares paraguaios querem investigar o origem do dinheiro e executivos da binacional serão convocados para o esclarecimento do caso.

Ruídos diplomáticos (1)

Na comentada reforma ministerial prometida para o próximo ano, o atual ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está cotado para o cargo de embaixador na França. Só que o incidente com o Carrefour ainda estaria provocando ruídos na relação Brasil-França.

Ruídos diplomáticos (2)

Foi o ministro Mauro Vieira quem forçou o CEO do Carrefour, Alexandre Bompard, a pedir desculpas pelas bobagens que disse sobre a carne brasileira quando exigiu um boicote ao nosso produto animal.

Ruídos diplomáticos (3)

Mauro Vieira que pouco atua nas “grandes” decisões do governo brasileiro na área diplomática – Celso Amorim é quem traça tais decisões – tem um asterisco no seu nome na diplomacia francesa. É que Mauro Vieira concordou com Lula quando o presidente disse que, no acordo Mercosul-União Europeia, a “França não apita nada”.