O clássico carteiraço brasileiro que o antropólogo Roberto DaMatta se especializou em defini-lo em seus livros é utilizado para intimidar ou demonstrar uma posição de poder, sugerindo que a pessoa que o pronuncia tem mais importância ou autoridade do que a outra. Pois foi este carteiraço que Lula e Fernando Haddad receberam do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do presidente da Câmara, Hugo Motta, com a humilhante derrota sofrida pelo governo na votação que derrubou o decreto do aumento do IOF. Foi também um recado direto para Lula entender que nem o Senado nem a Câmara continuarão a lhe dar apoio numa governança que sente uma impopularidade crescente num clima que irá desembocar nas eleições gerais do próximo ano. Feito o estrago da derrota na Câmara – 383 a 98 votos – Alcolumbre e Motta podem ir tranquilos para suas respectivas festas juninas e cheios de civismo deverão contar para seus eleitores que estes foram defendidos pelo Congresso diante de uma tentativa de aumento de imposto por parte de Lula e de Haddad. Na selva eleitoral brasileira quem banca o Tarzan dá carona no cipó para seus eleitores.
A conta chegou
Lula sentiu a derrota e Fernando Haddad, de férias, põe Nebacetin na ferida aberta. A despesa daquele escore de 383 a 98 votos é a conta que chegou pela falta de pagamento das emendas parlamentares, prometidas e não cumpridas.
A reclamação
O Congresso (leia-se senadores e deputados) se queixa do comportamento do Palácio do Planalto que manda projetos sem um acerto prévio e que Lula não cumpriu o prometido: convencer o ministro Flávio Dino a retirar a proibição do pagamento de R$ 4 bilhões de emendas parlamentares.
Aposta errada
Com a popularidade em baixa, Lula está criando na mídia amiga uma narrativa que o Congresso não aceita. Fernando Haddad tem sido o porta-voz de uma inexistente guerra Lula versus Congresso. Uma aposta para testar a opinião pública sobre quem ela prefere.
Foi erro mesmo?
O deputado Rui Falcão (PT-SP) votou contra o decreto do IOF. Logo ele, um petista histórico da extrema-esquerda e que já presidiu o partido. Foi tanta a repercussão que ele está se desculpando por ter apertado a tecla errada na hora de votar.
Empreguismo galopante
O governo federal se queixa da falta de recursos e por isso queria aumentar o IOF, mas a gastança continua. Desde 2023, quando Lula assumiu, já foram criados 273 cargos políticos para acomodar a parceria da base política.
Por aqui
Apenas um exemplo: o Grupo Hospitalar Conceição, no governo Bolsonaro, tinha 18 cargos de indicação política. Hoje, são 69 nomeados pelo atual governo. Entre estes cargos, 13 vagas são para assessores de diretoria com vencimentos mensais de R$ 22 mil.
Justificativa oficial
O governo federal informou que “a contratação de comissionados permite agregar conhecimentos externos e novas expertises, pois são ocupados por perfis especializados”.
Obrigado, governador
Esta coluna faz um agradecimento sincero ao governador Eduardo Leite por ter reconsiderado sua intenção em patrocinar a Escola de samba Portela. A realidade difícil que os gaúchos estão vivendo foi compreendida pelo senhor. Seu gesto merece o nosso respeito.
