Após quarenta anos de mandatos políticos e uma quase vitoriosa eleição presidencial, o ex-governador, ex-senador e atual deputado federal Aécio Neves reconhece que o desafio de tornar o PSDB algo próximo do que foi nos áureos anos, está muito distante.
Cerca de dois meses à frente do comando nacional do ninho tucano, Aécio aposta na refundação da sigla, em meio a uma polarização ainda acirrada entre petismo e bolsonarismo. E a caminhada pela refundação teve início pelo Rio Grande do Sul, onde, nesta quinta-feira, cumpriu agenda. A escolha não foi aleatória. Com um partido com poucos recursos e força política, a estratégia é fazer apostas para as eleições deste ano.
Uma delas, segundo o próprio, será vista já na janela partidária, que inicia-se em março. De forma direta, neste período, ele garante que o partido conseguirá, ao menos, mais sete deputados federais, formando uma bancada de 20 deputados. Após a eleição, é consolidar 30 parlamentares.
Nas disputas estaduais, a situação é ainda mais delicada. Segundo ele, não é ter candidatos em todos os estados, mas apostar naqueles que podem trazer benefícios, como, por exemplo, com Ciro Gomes, no Ceará (avançando no Nordeste), e Marconi Perillo, em Goiás (abrangendo o Centro-Oeste), além de Marcelo Maranata, no RS.
Maranata fardado e com bandeira
Com Marcelo Maranata (prefeito de Guaíba), o partido aposta em um nome que ganhe visibilidade, mas também que ajude na formação das bancadas estadual e federal.
Porém, pelo tom animado e confiante, Maranata não dá sinais de que entrará na disputa apenas por protocolo. Ao contrário, quer aproveitar a oportunidade para tentar achar uma brecha na corrida eleitoral e se posicionar.
Uma das estratégias da campanha será apresentar as suas conquistas como gestor de Guaíba e defender o municipalismo.
Apartes
- Enquanto Aécio Neves cumpria agenda no RS, o deputado estadual Professor Bonatto anunciava que deixará a sigla na janela partidária, migrando para o PSD. A situação política em Viamão, seu reduto eleitoral, foi decisiva.
- Apesar de dizer que mantém boa relação com o governador Eduardo Leite, com quem inclusive falou ao telefone ontem, Aécio Neves foi enfático (com pitadas de acidez) ao dizer que o governador seria a ficha um dos tucanos na disputa presidencial deste ano.
