*Flavia Bemfica/Interina
Apequena a importância do Senado Federal quem limita a corrida pelas duas vagas do RS na Casa aos embates ideológicos com o Executivo ou ao hiperfoco sobre tirar do cargo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No Senado começaram algumas das mudanças mais significativas do país, com impacto real, e positivo, na vida dos brasileiros. Tiveram origem em projetos de senadores, por exemplo, o Estatuto da Criança e do Adolescente e, mais recentemente, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, a chamada Lei Felca; o Código de Defesa do Consumidor e a lei que tornou o feminicídio um crime autônomo. O Senado alterou também, de forma substancial, no ano passado, o texto da reforma tributária. Para ficar só nos senadores gaúchos que já passaram pela Casa ou estão perto de deixá-la: Ana Amélia Lemos foi a autora do projeto que resultou na Lei da Quimioterapia Oral. Saiu do gabinete de Pedro Simon a PEC da Bengala. José Fogaça relatou a lei que instituiu o Plano Real. É de Paulo Paim o projeto original que após anos de debates resultou no Estatuto da Igualdade Racial. Hoje, na Federasul, oito pré-candidatos ao Senado vão ter mais uma chance de mostrar se estão à altura da cadeira que pleiteiam.
PL oficializa Zucco
Luciano Zucco passa hoje de pré-candidato para candidato do PL ao Piratini. A convenção partidária que oficializa os nomes para o governo e o Senado, mais os de deputados federais e estaduais, começa às 18h, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa. Apesar de ser dia de semana (a escolha da data foi devida ao número do PL) e a meteorologia indicar chuva, o partido garante que vai lotar os 600 lugares do espaço, mais adjacências. O evento terá dois momentos estratégicos de posicionamento da candidatura. Um é o discurso de Zucco, no final, que pretende mostrar liderança e capacidade tanto de diálogo como de gestão, características questionadas de forma recorrente por adversários. Em tempo: Flávio Bolsonaro vai mandar um vídeo.
Gesto às mulheres
Mas é um momento no início da convenção do PL que vem sendo preparado com cuidado há semanas. Nele, o movimento Gaúchas pelo Rio Grande, encabeçado pela advogada Joyce Zucco, esposa do deputado, entregará um documento com as sugestões das mulheres para o plano de governo. As propostas tomam por base iniciativas desenvolvidas por mulheres em cidades gaúchas, e abrangem enfrentamento à violência, saúde, empreendedorismo, acolhimento, inclusão, primeira infância e apoio a mães atípicas. É um gesto explícito da candidatura tanto no sentido de buscar o eleitorado feminino como de se desvencilhar dos radicais de direita que defendem teorias contrárias ao voto de mulheres.
Escolha de Sofia
De público, a coligação encabeçada na disputa estadual pelo MDB, e que tem o PSD como principal parceiro, faz mistério sobre quem vai ocupar as primeiras suplências das pré-candidaturas de Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) ao Senado. Mas a primeira suplência de Rigotto está entre dois nomes do MDB. Um deles já ocupou cargo público relevante e tem expressiva vinculação com o setor produtivo. O outro nome impulsiona com força a pré-campanha do ex-governador na Capital. Frederico, por sua vez, aguarda a resposta ao convite feito a um aliado de décadas, reconhecido como liderança competente e articulador de peso dentro e fora do partido para o qual ambos migraram.
APARTES
Mais um prefeito do PP abriu voto ontem para o pré-candidato do MDB ao governo, Gabriel Souza. Foi o prefeito de Gramado, Nestor Tissot. Em vídeo, ele disse que a escolha é uma questão de coerência após a cidade ter recebido “muitos apoios e liberação de projetos” do governo. Depois de ser um dos principais aliados do governo estadual, o PP decidiu neste ano deixar a base aliada e entrar na aliança encabeçada pelo PL, adversário dos governistas, indicando a vice na chapa.
