Flavia Bemfica/InterinaA estratégia política que ficou transparente no discurso de Juliana Brizola, durante a convenção/ato do PDT e coligados no sábado, se ampara em três diretrizes. Primeiro, ao carregar nas críticas ao governo Eduardo Leite (PSD), além de reforçar que tem candidatura de oposição, o PDT quer também dificultar a vida do pré-candidato governista, o vice-governador, Gabriel Souza (MDB), e a tática que ele colocou em curso. Gabriel vem ‘batendo’ em outro concorrente, o deputado federal Luciano Zucco (PL), porque o MDB acredita que, se conseguir tirar Zucco da jogada, Gabriel vence Juliana no segundo turno. O comando da campanha trabalhista assegura que, em suas sondagens internas, Juliana está à frente em todas as simulações de segundo turno. Mas parcela de aliados (petistas inclusos) acredita ser mais difícil derrotar Gabriel do que Zucco quando sobrarem só dois corredores, e defende a tese do ‘é melhor prevenir do que remediar’. Ao apontar para Leite, o objetivo é que as cobranças acabem respingando em Gabriel, bloqueando desde já suas possibilidades de crescimento.
Vacinas
A segunda diretiva é uma resposta às críticas recorrentes tanto de Gabriel quanto de Zucco, de que o presidente Lula não tem a devida atenção com o RS. Juliana não negou que os gaúchos “se sentem sozinhos” e que o Estado “pena”. Mas creditou a falta de uma melhor relação com o governo federal à postura adotada por Eduardo Leite. A terceira diretriz é uma vacina às avaliações de que a estratégia eleitoral trabalhista está com ‘passado demais’, por causa do uso massivo do brizolismo. A decisão de colocar o filho de Juliana, um adolescente de 16 anos, para discursar, não teve só o objetivo de emocionar. Foi, também, um expediente para passar a mensagem de que há uma nova geração ‘apaixonada’ por política, e que trabalhistas não vivem só do passado.
Enquanto isso, em São Paulo...
Gaúchos com representantes nas chapas majoritárias se mobilizaram, no final de semana, para acompanhar as convenções nacionais de seus partidos, em São Paulo. No sábado, os candidatos ao governo e ao Senado pelo PL, os deputados federais Luciano Zucco e Ubiratan Sanderson, participaram do ato realizado na Arena Pacaembu que sagrou Flávio Bolsonaro candidato à presidência da República. Zucco também se encontrou com o presidente da Argentina, Javier Milei, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. No domingo foi a vez do PSD. O governador Eduardo Leite, e os pré-candidatos a vice e ao Senado, os deputados estaduais Ernani Polo e Frederico Antunes, compareceram à convenção que oficializou, na sede do partido, a chapa pura na corrida presidencial, com Ronaldo Caiado na cabeça e Gilberto Kassab de vice.
APARTES
Não bastasse Donald Trump, vem também Javier Milei achar que tem estatura para atacar instituições e autoridades brasileiras. Depois de o petismo demorar para entender que precisava diversificar o discurso de pobres x ricos e luta de classes, agora parece ser o bolsonarismo que está com dificuldade de ter o que dizer para além de esculhambar o sistema eleitoral e bater no STF.
