Aprovada com ampla margem e em tempo recorde pela Câmara dos Deputados, a PEC do fim da escala 6X1 e da redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, agora está nas mãos do Senado. Na Casa, o ambiente é mais complexo, especialmente pela atuação do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil), que está com as relações praticamente rompidas com o governo desde a rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula ao Supremo. Diferentemente da situação de Hugo Motta (Republicanos), que está em lua de mel com Lula e cuja atuação foi decisiva para o desfecho no plenário da Câmara.
Segundo informações que circulam nos bastidores, Alcolumbre teria sinalizado a interlocutores que não iria segurar a tramitação da PEC. No entanto, ele não se comprometeu a agilizar o processo, como fez Motta. E há vários fatores no cenário.
Nesta quinta-feira, Alcolumbre encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma proposta alternativa, encabeçada pela oposição, que permite um regime alternativo de trabalho, remunerado por hora. A CCJ é comandada pelo senador Otto Alencar (PSD), aliado do governo. Cabe a Alencar a escolha do relator e o ritmo da votação do texto na comissão.
Pelo cenário atual, a proximidade eleitoral e em função da expectativa gerada pela agilidade da aprovação da PEC pela Câmara, é pouco provável que opositores consigam segurar por muito tempo ou que venham a rejeitar a PEC do fim da escala 6X1 e da redução da jornada. Apesar da articulação de setores empresariais, que está sendo intensificada. O mandato de Alcolumbre não está em jogo nas eleições deste ano, mas 54 cadeiras podem ser renovadas, dependendo do resultado das urnas.
