O anúncio do governo federal, para evitar demissões no Rio Grande do Sul, feito nesta quinta-feira, ficou bem aquém do esperado pelo governo gaúcho, por entidades empresariais e também pelas centrais sindicais. A medida provisória (MP) estabelece um auxílio financeiro de duas parcelas do salário mínimo, de R$1.412,00, cada uma delas, para os trabalhadores formais dos municípios atingidos pelas enchentes que fazem parte da mancha de inundação mostrada por meio de imagens de satélite.
Segundo o presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, a medida é importante no momento de asfixia em que se encontram empresas e trabalhadores, mas é insuficiente e não contempla as reivindicações.
“São apenas dois meses e o valor é bem abaixo da realidade salarial do nosso Estado. Vamos propor ao governo gaúcho que faça uma complementação para pelo menos chegar a R$ 2 mil. E precisaria ser uns três meses até a retomada da economia”, disse Guiomar à coluna.
O sindicalista destacou ainda que muitas empresas irão utilizar o chamado lay off, que é a suspensão dos contratos de trabalho agregado à qualificação profissional e estes trabalhadores serão penalizados pela antecipação de parcelas do seguro desemprego. “Pedimos ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que nestes casos seja editada medida especial concedendo pelo menos mais três parcelas adicionais do seguro desemprego, como foi feito no início da tragédia, com duas parcelas a mais”, explicou.
Guiomar afirmou ainda que o ministro informou que a portaria de regulamentação da MP será publicada na próxima semana.
‘Auxílio ficou completamente aquém’
Presidente da Federasul, Rodrigo Souza Costa fez críticas incisivas à proposta. Ele classificou o anúncio como vergonhoso e mesquinho. “Na primeira fala do presidente Lula no início da tragédia, fiz elogios. Ele foi um estadista. Mas esse auxílio ficou completamente aquém do que o cenário exige. O Brasil ajuda outros países em dificuldades a fundo perdido. E para o RS, no momento mais difícil de sua história, recebemos propostas insuficientes e demoradas. A narrativa está se sobrepondo ao tamanho da catástrofe. Fomos pacientes, mas agora teremos que elevar o tom”, disse ao Esfera Pública.
Mais cauteloso, o governador Eduardo Leite comentou o anúncio do governo federal em suas redes sociais. O tucano destacou que a partir das informações sobre como o programa será operacionalizado, será possível avaliar se ele será suficiente para assegurar os empregos. “Saudamos o anúncio feito hoje pelo presidente Lula, mas entendemos que seria importante expandir o auxílio para beneficiar também outras empresas, mesmo que não tenham sido diretamente alagadas, mas que tiveram suas atividades afetadas indiretamente, como no caso do Turismo, por exemplo. O governo do Estado tem se colocado totalmente à disposição para discutir essa e outras medidas federais de apoio ao Rio Grande do Sul. Mais do que simplesmente demandar, nosso intuito sempre foi, e sempre será, o de ajudar a construir as melhores ações possíveis para o povo gaúcho.”
