O anúncio do governo de São Paulo de que a Coronavac apresentou eficácia de 78% para casos leves e de 100% para casos graves nos estudos finais realizados no Brasil deve ser comemorado e serve de alento. As informações foram apresentados à Anvisa. O Instituto Butantan, responsável pela produção, já iniciou as tratativas para oficializar o pedido de uso emergencial. Horas depois, o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em manifestação sobre a Medida Provisória das Vacinas, com tom inédito até aqui, afirmou que o governo usará todas as armas e que há uma guerra contra a Covid. “Saúde não pode ter bandeira, partido ou ideologia. São 200 mil brasileiros. São meus parentes e seus parentes. A realidade é dura”, em referência ao número de mortos no país, que ultrapassou ontem a triste barreira dos 200 mil. Os tradicionais ataques à imprensa, no entanto, não saíram de cena. Segundo Pazuello, visivelmente irritado, há alto grau de incompreensão e de interpretação dos fatos pela imprensa sobre as ações do governo federal, como se o Planalto não tivesse responsabilidade no cenário de incertezas instaurado no país. Parte da manifestação do ministro foi utilizada ainda para defender o presidente Jair Bolsonaro das acusações de inércia frente à pandemia. Pazuello destacou que todas, enfatizando a palavra, as vacinas produzidas pelo Butantan (100 milhões de doses) serão adquiridas pelo governo federal e compartilhadas por meio do Plano Nacional de Imunização aos estados “de forma equânime e proporcional”. Na prática, é justamente assim que deve ser, mas a fala, além de visar acalmar os ânimos, teve destino óbvio: o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que apostou desde cedo na atuação do Butantan e que agora quer colher os louros políticos do movimento. Na pandemia, Dória passou de adversário a arqui-inimigo de Bolsonaro em função da sucessão presidencial de 2022. Na melhor das hipóteses, segundo o ministro, a vacinação começará no país em 20 de fevereiro e, na mais alongada, no final de fevereiro, início de março. Considerando Butantan e Fiocruz, Pazuello afirmou que serão produzidas cerca de 30 milhões de doses por mês.
Anúncio de eficácia gera ação e respostas do Ministério da Saúde
Manifestação ocorreu na data em que o Brasil ultrapassou dois mil mortos por Covid
