O ano de 2022 chegou, a vacinação está avançando, mas infelizmente o fantasma da pandemia segue entre nós, após dois anos, com o aparecimento da nova variante Ômicron. Novamente, nações do planeta enfrentam cenários complexos e adversos, com o aumento exponencial de internações. Segundo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, há um “tsunami” criado pela circulação simultânea das variantes Delta e Ômicron da Covid, o que está levando “os sistemas de saúde à beira do colapso”. Em seu boletim epidemiológico semanal, a OMS sustenta que a Ômicron é altamente contagiosa e que representa um risco “muito elevado”. A circulação da variante pelo mundo provocou recorde de casos nos últimos sete dias.
Apesar do cenário, o novo ano traz com ele esperanças, mas também incertezas. No Brasil, além do contexto da pandemia, por ora, sob controle, mas que pode sofrer revés considerando o que ocorre no mundo e as festas de fim de ano e o Carnaval, o clima tende a ficar ainda mais bélico e polarizado em função da sucessão presidencial. O país está dividido, e este racha será ampliado durante as disputas, em especial, a do Planalto.
No meio de todo este caldo, a politização de temas como a vacinação, mais recentemente de crianças, será consideravelmente ampliada. Não há diálogo, o que vale é o nós contra eles e quem discorda de certas ideias e ideologias, automaticamente torna-se inimigo, que precisa ser aniquilado, não mais adversário ou opositor. Temas que deveriam ser tratados no âmbito da medicina e da ciência, inundam as redes sociais e as mesas de bar como se todos tivessem se tornado especialistas. O combustível é a intolerância, o ódio, a falta de racionalidade e de empatia. Por todos os lados.
Nesta semana, o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que governadores não podem determinar a vacinação de crianças de cinco a 11 anos pois não são médicos. Pois bem. A consulta pública, tão alardeada, servirá para quê, se trata-se apenas de opinião pública, portanto, sem base científica? Ao Ministério da Saúde cabe viabilizar as vacinas. Aos pais e tutores, a decisão de imunizar ou não suas crianças.
Mas 2022 chegou e com ele um leque de possibilidades. Políticos e partidos deveriam aproveitar as eleições gerais para apresentar seus programas de governo, para o país e para os estados, focando em temas que são essenciais à população, principalmente a mais carente, que depende do Estado, com propostas reais e possíveis em áreas como saúde, educação, segurança e econômica. Divergências ideológicas e de projetos são normais e fazem parte do jogo político, mas o que vivemos no Brasil extrapola a racionalidade básica.
Outro desafio, serão as fake news, que marcaram a sucessão de 2018 e colocaram a Justiça Eleitoral de joelhos diante da incapacidade de conter a circulação massiva de informações não apenas falsas, mas absurdas. Aos eleitores, protagonistas do processo eleitoral, cabe a responsabilidade de checar a vida pregressa dos candidatos, suas falas, posturas e posicionamentos. E não embarcar em informações sem antes buscar sua veracidade. O ano novo está aí. Podemos todos melhorar, amadurecer, abrir nossas cabeças para o diferente, divergir, mas com sensatez e educação, e tornar um hábito a gentileza e a empatia, que andam em falta.
