Taline Oppitz

Após dias como expectador, Fachin enfim, age

Decisão de Dino, de reintegrar Andrei Rodrigues ao comando da PF, é mais um capítulo que agrava o cenário

Ministro Flávio Dino
Ministro Flávio Dino Foto : Rosinei Coutinho / STF / CP

A escalada da crise que atinge o Supremo Tribunal Federal ganhou um novo capítulo com a decisão do ministro Flávio Dino, nesta quarta-feira, de reintegrar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o chefe de Inteligência, Leandro Almada. Ambos haviam sido afastados na terça-feira, por determinação do ministro André Mendonça, avalizada por maioria na segunda turma da Corte, que foi interrompida pelo pedido de vista de Gilmar Mendes.

Era esperado, considerando a proporção da crise, que outros ministros se envolvessem ou fossem arrastados para o ringue estabelecido no Supremo, no qual são protagonistas Alexandre de Moraes e Mendonça. No fim do dia, enfim, o presidente da Corte, Edson Fachin, que apenas assistia aos desdobramentos, agiu.

Em uma tacada, no âmbito do recurso da AGU, Fachin determinou a suspensão de procedimentos de investigação contra integrantes do Supremo, anulou as decisões de Mendonça e de Dino sobre o comando da PF, e retirou Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das Fake News, que ficou com ele próprio. Segundo o presidente do Supremo, os colegas estavam deliberando sobre questões vinculadas, baseados em provas comuns, levando a risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual. Situação que, diga-se, já havia se concretizado na prática.

Após dias como expectador, se limitando a conceder prazos e mais prazos para manifestações dos colegas, Fachin ensaia uma tomada das rédeas na tentativa de minimizar os estragos. O próximo passo envolverá a realização de uma tensa sessão do plenário, no dia 15, onde os protagonistas da crise, ficarão, lado a lado e frente a frente, com transmissão ao vivo da TV Justiça.