A cada dia as estratégias iniciais, que devem ser alteradas no decorrer da campanha, vão ficando mais claras. Especialmente considerando os dois protagonistas da corrida ao Planalto: o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula (PT). Ambos são líderes políticos carismáticos e contam com públicos fiéis. E com adversários e críticos no mesmo nível. Ambos são amados e odiados em proporções similares.
Até aqui, a tática de Bolsonaro, além de apresentar realizações de seu governo, é a de explorar temas sensíveis ao seu principal adversário. Entre eles, a corrupção. Seu governo também enfrenta acusações, mas o fato de Lula ter sido preso e, apesar dos entendimentos posteriores, do Supremo Tribunal Federal (STF), o símbolo da prisão fala mais alto. Ao menos para os simpatizantes de Bolsonaro e para a ala antipetista do eleitorado.
Lula deve seguir realizando a comparação de suas duas administrações com o governo atual, explorando especialmente a postura em relação à pandemia e a situação da economia do país.
Diferentemente do Rio Grande do Sul, que nunca reelegeu um governador, nacionalmente, a tradição é a de garantir um segundo mandato ao presidente da República. Neste ponto, tem peso considerável a questão da economia, que, independentemente das posições de especialistas na área, é um tema didático, que os eleitores sentem, na prática, em seu dia-a-dia.
Apesar de lideranças com posturas críticas exacerbadas e até violentas, de lado a lado, Bolsonaro e Lula têm tentado manter um tom mais ameno. O cenário, no entanto, não deve ser duradouro e, definitivamente, não se estenderá até o fim do primeiro turno, no dia 2 de outubro.
