Taline Oppitz

Avião a jato: Diante da convicção da possibilidade de salvar vidas, recuo é um erro

Governador Eduardo Leite cancelou a aquisição de aeronave diante de críticas

Eduardo Leite recuou da decisão de aquisição de uma aeronave a jato
Eduardo Leite recuou da decisão de aquisição de uma aeronave a jato Foto : Mauro Schaefer

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o governador Eduardo Leite (PSDB) informou que mandou suspender o estudo que visava a aquisição de um novo avião para o Estado. Antes de anunciar o recuo, Leite detalhou os motivos pelos quais a iniciativa é necessária, destacando as demandas, especialmente na área da saúde, mas também na segurança pública.

O governador mencionou o caso de um jovem de menos de 30 anos, que faleceu na região de Santa Rosa, em outubro de 2024. Seus dois pulmões estavam disponíveis para doação, mas o Estado não tinha uma aeronave com velocidade suficiente para fazer a captação a tempo. A família, diante da demora, acabou desistindo da doação.

Na gravação, Leite ressaltou outra importante informação: a de que o caso, infelizmente, não é isolado. Segundo dados da Central de Transplantes, em 2023, pelo menos 40 doações de órgãos foram perdidas no Rio Grande do Sul, em parte, em função do tempo para viabilizar o transporte para a captação dos órgãos.

“O debate sobre o bom uso do dinheiro público é legítimo, mas ele precisa ser feito com responsabilidade e com base na verdade. No entanto, uma vez que esse tema foi contaminado por argumentos viciados e equivocados, que foram trazidos na política e na imprensa, estou demandando que se encerre esse processo da compra da aeronave, que foi iniciado, é importante ressaltar, por uma necessidade do Estado. Especialmente na área da saúde, onde cada minuto pode significar uma vida salva”, disse Leite no trecho final do vídeo.

Entre as principais responsabilidades de gestores públicos está a tomada de decisões, visando o interesse público, mesmo que sejam exploradas politicamente. Talvez, para os que não enfrentaram situações que envolvem doações de órgãos, o avião, de fato, não seja uma prioridade.

Leite, no entanto, como gestor convicto da necessidade e da possibilidade de salvar vidas, deveria sustentar sua decisão, sem temer exploração política e desgastes.

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