O escândalo do Banco Master, investigado pela Operação Compliance Zero da Polícia Federal, se transformou no epicentro da crise política em 2026, em meio ao período pré-eleitoral, provocando abalos, agora simultâneos, para o clã Bolsonaro e o governo Lula. Sem falar nos envolvimentos e impactos para outros protagonistas do cenário nacional.
Nesta quinta-feira, o principal alvo da nova fase da operação Compliance Zero foi o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), amigo pessoal e conselheiro do presidente Lula. Entre as suspeitas, estão pagamentos de Daniel Vorcaro a Wagner, além de um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,5 milhões.
Lideranças petistas se manifestaram ainda pela manhã, assim que o caso veio à tona, mencionando um mantra antigo, de que no governo Lula a PF pode atuar, e destacando a confiança no senador. Até o fechamento desta edição, Jaques Wagner não havia divulgado nota, mas negou relações com Vorcaro e irregularidades em entrevista à Band News TV. Ele disse ainda que não deixará a liderança do governo. Lula não comentou o caso publicamente, mas deveria afastar o amigo do cargo para tentar minimizar danos à campanha.
Na outra ponta da polarização, o senador e pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, viu seu desempenho sofrer desgastes na ala moderada da direita e também nas pesquisas de intenções de voto após reportagens do Intercept Brasil, em maio, que revelaram negociações de montante de R$ 134 milhões de Vorcaro para financiar o filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro. Apenas parte teria sido efetivamente paga. Flávio e seu entorno ainda lidam com os danos, mas minimizam o episódio e agora têm artilharia para contra-atacar, apesar das distinções entre os casos.
