Taline Oppitz

Chinelos, política e radicalização

O ano de eleições gerais em 2026 promete uma escalada ainda maior dos enfrentamentos e da polarização radicalizada

Mauro Pinheiro presenteia Comandante Nádia com chinelo Ipanema após polêmico comercial da Havaianas
Mauro Pinheiro presenteia Comandante Nádia com chinelo Ipanema após polêmico comercial da Havaianas Foto : Guilherme Vivan/CMPA/CP

O ano está chegando ao fim e não há nenhum indicativo de que 2026 será diferente no campo político. Pelo contrário. O ano que vem, de eleições gerais, promete uma escalada ainda maior dos enfrentamentos e da polarização radicalizada, em que qualquer possibilidade de diálogo está completamente fora de cena.

O último episódio envolveu o comercial de fim de ano da Havaianas, que mais uma vez foi estrelado por Fernanda Torres. A produção virou alvo da direita, em função da interpretação de lideranças, que viram cunho político na produção, não perderem tempo e foram às redes comandar um boicote.

O motivo das investidas foi a fala da atriz sobre a tradicional crença de começar o ano com o pé direito para dar sorte. “Desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito. Não, não é nada contra a sorte, mas vamos combinar: sorte não depende de você, né? Depende de sorte. O que eu desejo é que você comece o ano novo com os dois pés. Os dois pés na porta, os dois pés na estrada, os dois pés na jaca, os dois pés onde você quiser. Vai com tudo! De corpo e alma, da cabeça aos pés”, disse.

O embate ganhou as redes. Enquanto lideranças e militantes alinhados à direita fizeram postagens colocando fora seus chinelos da marca, um outro movimento, ridicularizando a reação e promovendo memes em defesa do uso dos chinelos, também inundou a web.

Em tempo: Líder das bancadas do PP e da liberal na Câmara de Porto Alegre, Mauro Pinheiro deu de presente para a presidente da Casa, Comandante Nádia (PL), um chinelo Ipanema, da marca Grendene, “para ela entrar o ano como pé direito".