Taline Oppitz

Crise evidencia desafio das federações nas eleições municipais

Racha entre PSDB e Cidadania para definir apoio na disputa de Porto Alegre também está sendo vivenciado em outras cidades

Presidente estadual do PSDB e secretário do Cidadania no Estado debatem no programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba
Presidente estadual do PSDB e secretário do Cidadania no Estado debatem no programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba Foto : Reprodução/CP

Criadas em setembro de 2021, em uma reforma eleitoral aprovada pelo Congresso e avalizadas pelo TSE e pelo Supremo, as federações partidárias se tornaram uma dor de cabeça para partidos nas disputas municipais deste ano. Essas são as primeiras eleições municipais sob a vigência da nova regra, que foi colocada em prática pela primeira vez em 2022, nas eleições gerais. Os cenários peculiares nos municípios, em que as realidades políticas locais se impõem e não podem ser ignoradas, tornaram-se um problema para dirigentes de partidos federados.

No Rio Grande do Sul, um dos principais exemplos envolve o PSDB e o Cidadania. Apesar de a união ter fluído bem em muitos municípios do Interior, em outros tantos as divergências serão levadas para o campo jurídico. A situação ficou ainda mais dramática devido ao cenário de Porto Alegre, onde a crise é pública e levou a uma separação apesar da validade jurídica da federação.

Depois de tentar viabilizar o protagonismo, sem sucesso, o PSDB aprovou a união com Juliana Brizola (PDT). O Cidadania apoiará Sebastião Melo (MDB). Segundo o secretário do Cidadania no Estado, Renato Jaguarão, a federação representa um casamento forçado. “As nacionais decidiram e pronto. Em um casamento assim, alguém terá de se submeter. Não tem como dar certo”, disse o dirigente, em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba. Jaguarão destacou ainda que o partido não foi ouvido previamente sobre as decisões tomadas pelos tucanos.

Também presente no estúdio, a presidente estadual do PSDB, Paula Mascarenhas, destacou a importância das eleições municipais para a disputa de 2026. “O PSDB tem história e programa para o país. O apoio a Juliana foi votado e venceu. A liberação significa neutralidade, não tomar um lado. Não há como não ter posição em um cenário tão polarizado. (Sebastião) Melo representa o bolsonarismo e (Maria) Rosário, o PT do Lula”, avaliou.

Paula salientou ainda que a orientação nacional do PSDB é a de não reforçar os extremos nas disputas locais. “Somos um partido de centro. Além disso, com todo o respeito que tenho, mas além do alinhamento de agora ao bolsonarismo, em 2022, apesar de o MDB ser vice do Eduardo (Leite), com Gabriel Souza, o Melo apoiou o Onyx Lorenzoni, candidato do (Jair) Bolsonaro. Isso, para nós, torna uma aliança inviável”, afirmou.

‘Juliana mudou’

Cobrada pelo dirigente do Cidadania sobre a postura de Juliana Brizola em relação ao governo Leite, Paula Mascarenhas disse que Juliana mudou, enquanto Melo, não.

Cidadania aciona PSDB na Justiça

Nos municípios de Camaquã e Sentinela do Sul as divergências entre o Cidadania e o PSDB irão parar na Justiça. Segundo Renato Jaguarão, apesar de ceder o percentual de candidatos proporcionais ao Cidadania, como estabelece o estatuto da federação, o PSDB vetou nomes da lista. O Cidadania tentará mudar a composição das nominatas por meio de ações judiciais.

Tempos estimados nos programas eleitorais

Os tempos dos programas eleitorais de rádio e TV ainda não foram divulgados pela Justiça Eleitoral, mas partidos já realizaram cálculos estimados. Em Porto Alegre, de acordo com as previsões, Sebastião Melo terá cerca de 5 minutos e 30 segundos. Maria do Rosário, 2 minutos e 30 segundos, e Juliana Brizola, 1 minuto e 50 segundos. Felipe Camozzato não conta com tempo nos programas.