“Da nossa parte não há qualquer iniciativa no sentido de estabelecer uma disputa de narrativas”, diz Pimenta

“Da nossa parte não há qualquer iniciativa no sentido de estabelecer uma disputa de narrativas”, diz Pimenta

Ministro deu entrevista exclusiva durante visita ao jornal Correio do Povo

Taline Oppitz

Ministro Paulo Pimenta contestou influência política nas ações no RS

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A guerra de narrativas estabelecida em torno dos investimentos do governo federal no Estado foi minimizada pelo ministro extraordinário de Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta. Entidades empresariais, ala de prefeitos e o governo gaúcho, entre outros setores, têm sustentado que, dos valores anunciados, um percentual minoritário representa recursos novos. O restante, segundo estas avaliações, é relativo a empréstimos e antecipações.

"Da nossa parte não há qualquer iniciativa no sentido de estabelecer uma disputa de narrativas, seja com o governo do Estado ou com as prefeituras", afirmou o ministro, em entrevista exclusiva durante visita ao jornal Correio do Povo.

Pimenta destacou que neste cenário, o site que detalha informações de valores e ações da União no Rio Grande do Sul, desde o início da tragédia climática, lançado nesta segunda-feira, irá ajudar. "O próprio site ajuda nisso. As pessoas podem acessar, olhar, e desfazer desinformação", destacou.

O ministro salientou ainda que, apesar de simplificações colocadas em prática por meio dos decretos de calamidade, para reduzir caminhos burocráticos, como se trata de dinheiro público, alguns cuidados precisam permanecer.

Segundo ele, há ainda dificuldades de algumas prefeituras em função da quantidade de projetos, devido à ampla destruição, que precisam ser elaborados para a liberação dos recursos federais. "São trâmites legais que não são nossos. Daqui a seis meses, o Tribunal de Contas irá realizar as análises. O cuidado é necessário, mas acho que estamos andando rápido com a liberação de verbas. Em função do volume das coisas", avaliou.

Sobre a contaminação eleitoral, em função das disputas municipais de outubro deste ano, o ministro garantiu que não há restrições políticas. "Visito muitos municípios nos quais nem sei de que partido é o prefeito. E nem quero saber", afirmou. A estimativa de Pimenta, que está há dois meses atuando no comando do ministério extraordinário, serão pelos menos mais 90 dias de dedicação constante ao Rio Grande do Sul até que as demandas estejam, ao menos, encaminhadas. "Em um prazo de 90 dias tem que estar tudo resolvido, encaminhado, pelo menos no que for relativo à fase aguda", salientou.

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Presença na audiência de conciliação

Paulo Pimenta irá participar, nesta terça-feira, às 10h30, da audiência de conciliação, no Supremo Tribunal Federal, sobre a dívida do Estado com a União. A reunião foi determinada, a partir de solicitação da OAB gaúcha, pelo ministro Luiz Fux. O movimento integra o processo que tramita há mais de 12 anos na Corte, a partir de ação de autoria da OAB. Por parte do Rio Grande do Sul, estarão presentes o governador Eduardo Leite e o procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa. A OAB estará representada pelo presidente da entidade, Leonardo Lamachia.

Reunião decisiva com a Fraport

Em relação às articulações visando a retomada, o mais rápido possível, das operações no Aeroporto Internacional Salgado Filho, Paulo Pimenta afirmou que as reuniões com a presença do CEO global da Fraport, Stefan Schulte, nos dias 17 e 18 de julho, em Brasília, "serão decisivas". "Nestes encontros esperamos conhecer, em detalhes, o cronograma detalhado de retomada".


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