Taline Oppitz

Debate sobre chuvas começa a tomar conta da eleição no RS

Sucessão de prognósticos pouco animadores e capacidade de resposta do Estado a eventos extremos colocam clima no centro das atenções

Com elevação dos níveis em sete dos principais rios do RS, mais de 1.200 desabrigados, 194 cidades com relatos de danos nos últimos dias, o Guaíba prestes a alcançar a cota de alerta neste sábado, projeção de mais chuvas para a semana que vem, e ameaça de El Niño severo entre agosto e setembro, é impossível o clima não atingir as campanhas eleitorais no RS. Já atingiu, na verdade. Começou com embates do governador Eduardo Leite (PSD) e do vice, Gabriel Souza (MDB), que concorre à sucessão, com o candidato do PL ao posto, Luciano Zucco, e apoiadores. Seguiu com Leite apagando o vídeo no qual estimava que o Taquari não atingiria a cota de inundação e a repercussão nas redes adversárias. Foi destaque na convenção do PL, quando Zucco pediu orações pelos atingidos no Vale do Taquari e cobrou que o governo “assuma seus erros”. Chegou à pré-campanha de Marcelo Maranata, pré-candidato do PSDB ao Piratini, que postou vídeos pedindo mobilização e atenção da população. Para, na sequência, disparar: “Mais uma vez a gente não pode confiar nas informações do governo do Estado. O governo precisa explicar.” E, sim, as cobranças e a possibilidade de uma nova tragédia também já estão nas redes dos postulantes a uma cadeira ao Senado.

Recorde de feminicídios

De novo e mais uma vez, o RS e o Brasil confirmam a dificuldade em estancar a chaga das mortes de mulheres que morrem pelo simples fato de serem mulheres. Divulgado ontem, o Anuário da Segurança Pública 2026 trouxe mais uma notícia ruim: 1.571 feminicídios em 2025 no país, um recorde. Pior do que isso, os feminicídios seguem aumentando, apesar de, há cinco anos, o Brasil apresentar queda continuada no número de mortes violentas em geral. No RS, no ano passado, foram 80 feminicídios. O Estado teve uma alta de 9,5% nos crimes, na comparação com 2024. O percentual de aumento foi mais do que o dobro dos 4% registrados no país. Em 2026, até agora, o RS soma 41 mulheres mortas em função do gênero.

APARTES

Depois da convenção do PL, realizada na noite de quarta-feira, no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa, além dos trabalhos usuais de higienização, equipes de limpeza precisaram dar atenção especial a centenas de chicletes mascados, descartados fora das lixeiras, que grudaram em poltronas, carpetes e paredes. Para evitar danos maiores, as gomas foram retiradas lentamente, com a utilização de cubos de gelo, para auxiliar na remoção. O Dante Barone passou por dois anos de reformas, ainda não totalmente finalizadas, e foi reinaugurado em junho deste ano. As obras custaram R$ 31 milhões.