Articuladores do Planalto e o próprio presidente Lula subestimaram o grau da crise com o Congresso, que vem de meses, interesses e resistências de protagonistas do cenário e para o desfecho, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), a atuação da oposição e a queda de braço do Parlamento com o Supremo Tribunal Federal, que não é de hoje, e está em uma escalada. Foi um recado claro também para os ministros da Corte. Devem ser somados ao cenário pelo menos mais dois ingredientes: o ano eleitoral e a votação secreta, como ocorrem nos casos de indicados para a mais alta Corte do país.
Foi um tempestade perfeita que levou à rejeição de Jorge Messias e a uma derrota histórica para Lula. Histórica, mas não surpreendente. Desde a indicação extraoficial de Messias para o Supremo, ainda em 2025, o ambiente foi desfavorável e o desfecho comprova que não se alterou, apesar das articulações políticas que foram intensificadas a partir da indicação na prática.
Ele recebeu 34 votos favoráveis, dos 41 necessários para ser aprovado, e 42 contrários. Quebrou um recorde de 132 anos sem rejeições de escolhidos para o STF. O impacto nas relações entre poderes e no ambiente político em Brasília ainda é uma incógnita, mas os próximos dias já irão começar a revelar o tamanho do estrago.
