Taline Oppitz

Desembarque de advogado de Vorcaro é simbólico

Saída ocorreu após PF rejeitar a proposta de delação premiada

Juca em sustentação oral no STF no processo de tentativa de golpe Foto: Gustavo Moreno/STF
Juca em sustentação oral no STF no processo de tentativa de golpe Foto: Gustavo Moreno/STF

A saída do advogado José Luis Oliveira Lima, o Juca, da defesa de Daniel Vorcaro, ocorreu nesta sexta-feira, após a exclusão, pela Polícia Federal (PF), na quarta-feira, da proposta de delação apresentada pelo ex-banqueiro.

O desembarque de Juca é simbólico e representa forte indicativo de que as perspectivas em relação à validação da delação pela Procuradoria-Geral da República, que segue nas negociações, ou em uma nova tentativa, junto à PF, são praticamente nulas. Considerando, entre outros pontos, o avançado das investigações policiais.

Com experiência em negociações de delações, como o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, na Lava Jato, Juca foi contratado por Vorcaro justamente quando a possibilidade de delação ganhou força. E agora, deixa a função.

Neste contexto, é impossível não lembrar das manifestações de Juca durante o processo da tentativa de golpe do Estado, no Supremo. Ele atuou na defesa do general Walter Braga Netto e fez críticas incisivas à delação de Mauro Cid, afirmando que “a delação sem provas de corroboração é um pó, não para em pé, ela não é nada”.