Taline Oppitz

Direita articula readequação, apesar de movimentos a distância

Governador de SP, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ascende no cenário

Douglas Gomes / Divulgação / CP
Douglas Gomes / Divulgação / CP

Enquanto lideranças bolsonaristas focam as energias em explorar politicamente a ida de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, falando com sua bolha e seus militantes, ala da direita brasileira já se movimenta visando a reorganização.

Com Jair Bolsonaro preso e com Flávio e Eduardo nos EUA, já foi aberto espaço para a ascensão de lideranças e a readequação de forças. Apesar do empenho do ex-presidenciável derrotado em manter-se na articulação da oposição, como fica explícito na carta divulgada nesta quarta-feira.

Neste cenário, emerge o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o nome de maior viabilidade para liderar a oposição. Tarcísio foi inicialmente considerado o candidato favorito para polarizar a disputa com Lula (PT), mas Jair escolheu seu primogênito, para ficar em família.

A atual mudança no rumo, em função da saída de Flávio do país, deve levar a uma alteração na forma de atuação de líderes da direita, passando da pauta fortemente conservadora, cultural e de costumes para um perfil mais moderado, tecnocrata, institucional e pragmático. Tarcísio de Freitas, que aposta na imagem construída sobre a entrega de obras e reformas, consegue transitar entre campos distintos, como os da direita bolsonarista, agentes do mercado e o empresariado.

Um dos principais desafios do movimento de reorganização, que visa assumir o espólio bolsonarista, será manter a proximidade com a ala ideológica que sustenta o discurso antissistema e de perseguição do clã, e grupos da centro-direita, liderados por caciques do Centrão, que se movem de acordo com as circunstâncias e com a possibilidade concreta de poder.