Flavia Bemfica/Interina
Tendo como norte uma das máximas do empreendedorismo, de que os momentos mais difíceis são os que podem gerar as maiores oportunidades, o governador Eduardo Leite (PSD) segue aproveitando a janela aberta pela crise entre o Brasil e os Estados Unidos. Animado após ver viralizar o vídeo antipolarização que produziu para as redes sociais na semana passada, Leite reavivou as esperanças de viabilizar seu nome como uma nova terceira via para a disputa presidencial em 2026.
No decorrer da semana, concedeu entrevistas ao Portal Metrópoles e ao Uol. Em ambas, evitou posicionamentos claros sobre a participação de seu partido no governo Lula, ou sobre as decisões do ministro Alexandre de Moraes, do STF. E aparentou ter papel coadjuvante na articulação de uma reunião de governadores com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para tratar do tema do tarifaço.
Mas seguiu fazendo uma equiparação enviesada entre as posições de Lula (PT) e as ações da família Bolsonaro, e vinculando os arroubos de Donald Trump à polarização política existente no Brasil. De quebra, atribuiu a si mesmo papel de destaque no cenário nacional, considerando parte das críticas que recebe pela falta de posições bem definidas como tentativas dos campos da direita e da esquerda de inviabilizá-lo.
Na segunda-feira o gaúcho fará nova inserção na imprensa nacional. Ao lado do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que é seu colega de sigla, vai abrir uma série de debates promovida por um jornal do RJ com governadores e prefeitos para discutir o país.
Na verdade, é o outono
Nas entrevistas e manifestações que faz nas redes sociais desde a escalada da crise entre Brasil e Estados Unidos, Eduardo Leite (PSD) repete o discurso adotado por diferentes atores políticos que, no decorrer das últimas décadas, apresentaram a terceira via como o remédio para as mazelas do Brasil. Na tentativa de conquistar eleitores de todos os espectros, o gaúcho vem repisando que entende “as dores” tanto de quem votou em Jair Bolsonaro (PL) como daqueles que votaram em Lula. E enumera lugares comuns do tipo: “Entre o verão e o inverno, tem a primavera.”
‘Joga pedra na Geni’
Na sexta-feira, na coletiva após o anúncio de uma linha de crédito para empresas gaúchas atingidas pelo tarifaço, Eduardo Leite subiu o tom contra Lula. Afirmou que o presidente faz manifestações “em alinhamento a regimes ditatoriais de outros países, e a uma provocação de um sentimento antiamericano.” A tese de que as ações de Trump são resposta ao antiamericanismo é adotada, nos Estados Unidos, por alas mais radicais de apoiadores do republicano. Em outro momento da coletiva, Leite, governador, disse o que Lula, presidente, deve fazer: “Precisa procurar o presidente Trump, imediatamente.”
Bateu, levou
Mal terminou a coletiva no Palácio Piratini, as bancadas do PT e do PCdoB na Assembleia Legislativa emitiram uma nota oficial, intitulada ‘Unidade e altivez, nunca oportunismo e covardia!’. No documento, os parlamentares rebatem as falas do governador. As bancadas classificam a manifestação de Leite na coletiva como ‘lamentável’, declaram que ele presta um desserviço ao Brasil e ao RS, e recomendam que reveja sua posição, no sentido de “se colocar ativamente” junto ao esforço nacional para “defender o Brasil” e sua soberania.
