Taline Oppitz

Eleições 2022: Chegou a hora de avaliar

População precisa se apropriar do seu voto e avaliar quem o merece

O próximo ano que se avista trará uma série de desafios, porém, um, em especial, deverá concentrar as atenções e discussões: as eleições de 2022. O pleito que definirá o próximo (ou próxima) presidente da República, governadores e integrantes do legislativo precisa ir além das articulações e ambições políticas, que inclusive foram antecedidas e estão a todo vapor. Em um país em que, também em função da pandemia da Covid-19, as desigualdades foram ampliadas, a situação econômica é cambaleante e as necessidades são muitas, o pleito precisa receber a atenção necessária. Se nas eleições mais recentes as mensagens em redes sociais, muitas vezes, com informações falsas ou distorcidas, influenciaram nas escolhas, desta vez, é preciso ir além. É preciso que cada um busque o máximo de informações possíveis sobre os seus candidatos. 

É verdade que há algum tempo a classe política passou a ser desacreditada e até menosprezada. Porém, é exatamente esse grupo que tem um grande poder de decidir por você. E esse poder não está apenas nos cargos do Executivo, que recebem, com a devida justificativa, atenção por seus passos. O mesmo vale para os legislativos. Um exemplo, longe de ser qualquer novidade: os últimos dias das atividades do Congresso Nacional e da Assembleia gaúcha foram intensos. Votações necessárias e complexas foram, digamos, ignoradas por parte da população. Claro que o clima de final de ano é uma verdadeira correria. São confraternizações, planos, e, para alguns o mínimo, como conseguir colocar comida no prato. Parece quase lógico que acompanhar as movimentações políticas não fique no topo das prioridades. Porém, os efeitos e impactos dessas decisões vão refletir e estarão presentes no nosso dia a dia, para o melhor ou pior. 

Durante a discussão do Orçamento no Congresso, nas duas últimas semanas, as atenções estiveram mais voltadas ao tamanho do fundo eleitoral - valor que será destinado às campanhas eleitorais do próximo ano - do que com os repasses às áreas da educação ou saúde. Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul foi aprovado o reajuste do piso do Magistério, em sessão tensa e com embates - legítimos no que se refere à discussão de ideias e equivocados quando focaram nas agressões pessoais -, assim como a regionalização do saneamento básico, que tratou de como se dará a gestão nesta área para que os serviços sejam universalizados. Temas de fundamental importância e impacto no nosso dia a dia. 

A questão central dessa pequena reflexão é que a população precisa se apropriar realmente do seu voto. Aqueles comentários de que “um voto não faz diferença”, “de que político é tudo igual” e de que “a política é ruim” devem obrigatoriamente ser deixados de lado. Claro que esse processo de apropriação não se dá do dia para a noite. Entretanto, precisa começar. A política não deve ser tema de alguns poucos. Precisa ser de todos, mesmo que os pensamentos sejam diferentes. Num país com uma democracia em maturação e, por vezes, tão frágil, e com uma população com tantas necessidades e carências, precisamos saber escolher para quem daremos o direito de escolher por nós. Mas também precisamos saber avaliar, no caso daqueles que já estão no poder. Como tradicionalmente ocorre, no último ano das gestões, a tendência é que seja de grandes realizações e anúncios.