Taline Oppitz

Empresários gaúchos alertam para insegurança política

Federasul divulgou neste domingo a "Carta de Osório" com ponderações sobre o momento político nacional

Ao microfone, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa
Ao microfone, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa Foto : Divulgação

Representando 180 entidades do empresariado gaúcho, a Federasul divulgou neste domingo a “Carta de Osório”. Produzida ao longo da última sexta-feira, quando ocorreu o primeiro encontro do ano dos integrantes, a entidade destaca a preocupação com o momento político e os seus impactos na economia, como a insegurança para a realização de novos investimentos. O referido documento faz uma avaliação dos acontecimentos dos primeiros dias de 2023.

“Postura que inflama os ânimos e divide a sociedade, criando expectativas cada vez piores, fazendo nascer a insegurança e o conflito no lugar da esperança, o ódio no lugar da pacificação, deixando a economia flutuar sobre o medo como prenúncio de uma recessão”, diz trecho do documento.

À coluna, o presidente da entidade, Rodrigo Sousa Costa, que assumiu no final do ano passado, detalhou, neste contexto, dois episódios. O primeiro foi a manifestação do presidente Lula (PT) indicando que o empresariado enriquece às custas do trabalhador; e, o segundo, foi o afastamento do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, após os ataques às sedes dos Três Poderes, pelo STF. Para o presidente da Federasul, no primeiro caso, a manifestação do presidente, ao invés de promover a união prega novamente o conceito do “nós contra eles”. No segundo, questiona o fato de o Supremo decidir pelo afastamento de um governador. Apesar da ponderação, uma jurisprudência da Corte prevê essa possibilidade.

“Há receios das empresas, inclusive de irem embora do Rio Grande do Sul. Nós, como entidade civil organizada, estamos alertando para que isso não ocorra”, afirmou. Mesmo com as críticas, a carta também cita pontos positivos aos investimentos no país, citando a iniciativa do presidente Lula de ouvir os Estados sobre os projetos estruturantes na infraestrutura.