Taline Oppitz

Falta fôlego para todos

3.432 mortes foram registradas apenas no mês de março no RS em decorrência da Covid-19.

A volta da cogestão é legítima, mas desconversa com as previsões do governo que indicam que os números continuarão subindo
A volta da cogestão é legítima, mas desconversa com as previsões do governo que indicam que os números continuarão subindo Foto : Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini

O governador Eduardo Leite (PSDB) utilizou como uma das justificativas para a retomada da cogestão no Modelo de Distanciamento Controlado a falta de fôlego da economia. Em outras palavras, o governo segue indicando o panorama da pandemia no Rio Grande do Sul e caberá aos prefeitos a tomada de decisão sobre as flexibilizações, a partir da próxima semana. O governador está certo em dizer que o fôlego é limitado. O fôlego de todos e inclusive daqueles que estão aguardando atendimento ou que estão na linha de frente. Porém, a redução nos indicadores ainda é modesta.

A decisão do governador é legítima diante da pressão, cada vez maior contra o governo, acentuada pela manifestação de prefeitos, como o de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), de que as decisões precisam ser coletivas. Porém, não há como negar que para a população em geral são mensagens divergentes.

Os números de mortes, pela manifestação do próprio governador, vão continuar subindo. Ao mesmo tempo, é preciso flexibilizar. É uma maneira de tentar encontrar um equilíbrio difícil e delicado. Cede-se um pouco, para não perder tudo. “A caneta do governador não é toda-poderosa”, como Leite disse. Assim, sem abrir espaço para os prefeitos decidirem, a rebelião pode ser maior.

Inclusive, é preciso recordar que a cogestão surgiu exatamente de um movimento de quase rebelião de um grupo de prefeitos no ano passado. A grande preocupação nesse momento é se os “apontamentos” e as “projeções” do governo vão se confirmar e teremos, mais à frente, dias melhores. 

Em tempo: 3.432 mortes foram registradas apenas no mês de março no RS em decorrência da Covid-19.