O governo gaúcho pagou para ver, como a coluna antecipou, e perdeu. Após cerca de cinco horas de debates, o polêmico projeto, do qual o Executivo já havia recuado anteriormente, de investimentos de cerca de R$ 500 milhões do Tesouro do Estado em estradas federais, como as BRs 116 e 290, recebeu 25 votos a favor e 25 contrários. Nestes episódios, cabe ao presidente da Casa, o voto de Minerva. Valdeci Oliveira (PT) votou contra e ajudou a impor a derrota ao Piratini.
O tema, marcado por resistências desde o início, dividiu a ampla base aliada do governo, que, obviamente, já não é mais a mesma. Deputados são naturalmente sensíveis às pressões e apelos de prefeitos e, especialmente, em anos eleitorais, quando os gestores municipais se tornam cabos eleitorais importantes. Durante votação recente na Famurs sobre o tema, o placar foi quase tão apertado quanto o confirmado ontem no plenário da Assembleia.
Após sucessivos êxitos em projetos de sua autoria, desde início da gestão Eduardo Leite, o Executivo encerra o semestre com derrotas. A sessão desta terça-feira foi a última deliberativa antes do início do recesso parlamentar, que terá início na próxima semana. E, mesmo antes da realização das convenções partidárias, que ocorrem entre os dias 20 de mês e 5 de agosto, está evidente que o Legislativo foi completamente contaminado pelo clima eleitoral.
A proximidade das disputas já havia contagiado o cenário de votação de outras propostas, como no caso do projeto que representava a última etapa necessária à homologação da adesão do Rio Grande do Sul ao Regime de Recuperação Fiscal. A partir de agora e até o fim das eleições, não haverá margem para avanços do governo no terreno Legislativo.
