Flavia Bemfica / Interina
Em pleno inverno, o país ferve em um caldeirão no qual o principal combustível é um conceito que já se fundiu à história dos brasileiros: o patrimonialismo. O mês começou com Executivo e Legislativo em pé de guerra em função do IOF. Depois, em uma madrugada às vésperas do recesso, e em ano de conferência sobre mudanças climáticas (COP) no Brasil, a Câmara dos Deputados aprovou a jato a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, apelidada de ‘PL da Devastação’.
Outra decisão que desafiava a lógica, o aumento no número de deputados, foi vetada por Lula (PT). Nada, contudo, superou a sem-cerimônia com que o chefe da maior democracia ocidental anunciou os motivos do tarifaço de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros. Donald Trump decidiu punir o Brasil para pressionar o STF a atender um desejo particular: extinguir o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também abriu investigação sobre o pix e o comércio popular na rua 25 de Março.
O STF respondeu impondo uma série de medidas restritivas a Bolsonaro, entre elas uso de tornozeleira e proibição de usar redes sociais (próprias e de terceiros), gerando questionamentos sobre impessoalidade e limites. Enquanto isso, parlamentares brasileiros tentaram ignorar o recesso, que é institucional, iniciativa que foi barrada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos).
E Eduardo Bolsonaro (PL), que também é investigado, e que se mudou para os Estados Unidos em março, de onde ele mesmo anuncia que articula sanções contra o Brasil, informou que não vai renunciar ao mandato de deputado federal após o término de sua licença. Assim, mesmo no exterior, volta a receber subsídio e outras verbas e mantém prerrogativas do cargo, até estourar o número de faltas. Ou até que surja alternativa mais criativa. Agosto, o ‘mês dos loucos’, ainda está por vir.
Dá um google
Já que dicionários estão fora de moda, segue a definição da inteligência artificial (IA) do google para patrimonialismo: conceito desenvolvido pelo sociólogo alemão Max Weber para descrever um sistema de governo ou administração onde o poder político e os recursos do Estado são vistos e tratados como propriedade privada do governante ou de uma elite governante. Em termos mais simples, é uma confusão entre o público e o privado, onde os interesses pessoais e familiares se sobrepõem aos interesses públicos.
