Lula (PT) foi reeleito em uma vitória histórica e inédita. Pela primeira vez um candidato que acabou o primeiro turno da eleição em desvantagem garantiu a eleição no segundo turno. O êxito tem um simbolismo ainda maior pelo acirramento e por ser a última disputa do petista, que completa 81 anos nesta terça-feira. A vantagem de Lula em relação ao adversário Flávio Bolsonaro (PL) foi de mais de 4,3 milhões de votos. A margem deve auxiliar a minimizar as narrativas de fraude, que virão.
São múltiplos os elementos que levaram ao desfecho deste domingo. Entre eles, um destaque para a capacidade de mobilização do deputado André Janones, que tomou para si a responsabilidade de encabeçar uma reação da militância petista, quando articuladores da campanha de Lula e lideranças ainda batiam cabeça nos dias após o primeiro turno da eleição. A mobilização que começou capitaneada por Janones ganhou corpo e vida própria, deu fôlego à esquerda e atraiu eleitores para além do campo, por não serem alinhados a ideias e programas bolsonaristas.
A abstenção reduziu, Lula apresentou melhor desempenho no Nordeste, seu tradicional reduto eleitoral, local onde havia conquistado menos votos do que os obtidos em 2022. Minas Gerais foi outro estado onde Lula reagiu nesta segunda etapa da disputa.
A vitória histórica precisa ser comemorada, mas os desafios que Lula terá pela frente não devem ser subestimados. A começar pela composição do Congresso Nacional a partir da próxima legislatura. Há ainda o cenário econômico e fiscal e o impacto de bilhões da sucessão de anúncios realizados pelo petista durante o segundo turno, em uma pacote de bondades eleitorais. E a necessidade de unificação de um país completamente dividido.
