Taline Oppitz

Lula e a Sapucaí: Nem tudo é samba quando se trata de política

O Carnaval do Rio se torna palco de intensas discussões políticas e jurídicas após homenagem a Lula, gerando debates sobre a campanha eleitoral

Lula foi homenageado por uma escola de samba no Rio de Janeiro
Lula foi homenageado por uma escola de samba no Rio de Janeiro Foto : PEDRO KIRILOS/ESTADÃO CONTEÚDO

*Interina

O Carnaval é um dos poucos momentos em que determinados assuntos podem ser abordados com uma certa elasticidade moral e ironia. É a malemolência da folia. A escola de samba Acadêmicos de Niterói levou à Sapucaí o samba enredo com a história do presidente Lula. Mas não foi só isso. Também fez críticas a adversários, especialmente os últimos dois presidentes, Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

A escola defendeu as políticas sociais do governo e trouxe algumas pitadas de críticas sociais. Lula esteve na avenida, assistiu ao desfile e inclusive reverenciou a escola, assim como fez com as demais. No camarote esteve a primeira-dama Janja, que desistiu de participar da apresentação em um carro alegórico para evitar que o tom de críticas aumentasse.

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Enquanto a vida do presidente era encenada na avenida, na noite de domingo, os olhos dos apoiadores e da oposição estavam vidrados aos mínimos detalhes. Os aliados celebraram o êxito que a apresentação teve, enquanto oposição criticou o desfile homenageando Lula no Carnaval do Rio. Antes mesmo da apresentação, ações já tinham sido movidas na Justiça contra a iniciativa. O próprio PT fez comunicados para evitar crimes eleitorais. No entanto, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia rejeitado pedido para barrar o desfile que homenageou Lula no carnaval.

É fato de que o espetáculo cultural abre margem para discussões ligadas à campanha eleitoral, que de fato só tem início em agosto. Lula é pré-candidato à reeleição. E a homenagem ao presidente ainda deve gerar reações de cunho jurídico. Sobre isso não há dúvidas. É bem provável que elas vão cair na mesa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o seu desfecho, de fato, é improvável.