A virada histórica que reelegeu Lula (PT) para o quarto e último mandato do petista no comando do país teve efeitos internos imediatos que começaram a ficar claros na fala dele, em ato para comemorar a vitória na Avenida Paulista, na noite de domingo. “Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”, disse Lula, debaixo de chuva, afirmando que não ficará mais na dependência de intermediários.
O risco de uma derrota para o bolsonarismo, que deixou Lula visivelmente desanimado no domingo pela manhã, e a reviravolta confirmada horas mais tarde nas urnas, fará o presidente e o PT realizarem um movimento de volta às origens do partido. Ao longo do caminho de seus mandatos na presidência do país, Lula e o PT foram adequando discursos e posturas, abandonando bandeiras e se aliando a adversários em nome da governabilidade. Não é de hoje, mas especialmente neste terceiro governo, Lula parece ter se encastelado, com poucos articuladores com acesso a ele. O PT seguiu o mesmo caminho e ambos, agora, diante do susto, parecem ter se dado conta da necessidade de trilhar a estrada de volta diante do crescimento do bolsonarismo e de uma direita totalmente distinta da qual estavam acostumados a polarizar por décadas no cenário nacional.
Coordenador da campanha de Lula no Rio Grande do Sul, Edegar Pretto, que concorreu como vice na chapa de Juliana Brizola (PDT) ao Piratini, afirmou que não há mais como abrir mão de uma comunicação mais direta com a sociedade. “A comunicação mais efetiva com a sociedade sobre as políticas públicas é muito necessária. Será o último mandato do presidente Lula. Fomos empurrados de volta para as nossas raízes, as nossas origens”, disse Pretto, durante entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba. O contato mais efetivo e permanente, com a população e com as bases, e a necessidade de manutenção da mobilização ganha outra dimensão considerando o cenário adverso do quarto mandato em função da composição do Congresso Nacional na próxima legislatura.
