Lula fardado para 2022 e com alvo claro

Lula fardado para 2022 e com alvo claro

Durante discurso, o ex-presidente atacou diretamente Jair Bolsonaro, numa prévia da disputa do próximo ano

Mauren Xavier (interina)

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Fardado para a disputa presidencial em 2022, o ex-presidente Lula discursou no início da tarde desta quarta-feira, dois dias após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, ter anulado as condenações contra ele e o ter tornado elegível. Na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo (SP), mesmo local onde discursou antes de ser preso, há quase três anos, Lula atacou diretamente o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), principalmente sobre a condução da pandemia e as suas bandeiras, em uma antecipação clara de qual deve ser a tônica da disputa ao Palácio do Planalto, no ano que vem. "Esse país não tem governo", afirmou em mais de uma oportunidade. 

Em um discurso, similar ao de um palanque eleitoral, Lula falou por quase 1h30min. Defendeu a vacina e incentivou o uso da máscara, que são desmerecidas por Bolsonaro. Disse que o país não tem ministro nem da Saúde e nem da Economia, em outro momento. Os decretos que flexibiilzam o acesso às armas no Brasil também foram combatidos. Inclusive, acenou às Forças Armadas e às polícias, ao dizer que "quem precisa de armas não é a milícia". E completou: "O planeta é redondo", ao discurso terraplanista. 

Ao fazer as críticas, se apresentou como a oposição a esta postura e, lógico, como a alternativa possível. Lembrou de ações realizadas durante o seu governo, mas também pontuou como agiria se estivesse neste momento no poder, em especial no enfrentamento à pandemia. Afirmou que teria se esforçado na compra de vacina, por exemplo. 

O discurso de Lula teve ainda outras duas partes. Uma delas foi a de apresentação das suas bandeiras, pautada pelo combate à fome e defesa da saúde. Logo no início da sua manifestação, Lula se solidarizou com as vítimas da Covid-19, acenou aos trabalhadores da saúde, em especial, aos do Sistema Único de Saúde (SUS), e lamentou que as pessoas estão "passando fome no país". Além disso, listou lideranças nacionais que o apoiaram, em uma demostração de sua capilaridade internacional.

A outra foi sobre o processo judicial, com ataques à Lava Jato e ao processo. Fez ainda, como esperado, críticas à postura do ex-juiz Sergio Moro, apontado como presidenciável. Afirmou ainda ter sido vítima da "maior mentira contada em 500 anos de história". 

Com essas narrativas, temos o início da campanha de 2022. 


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