Taline Oppitz

Mais verbas em recuperação do que em prevenção. Até quando?

Levantamento mostra que governos gastam mais com ações de recuperação de tragédias ambientais e climáticas

Porto Alegre imagens aéreas no feriado 30/05/2024
Porto Alegre imagens aéreas no feriado 30/05/2024 Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

A tragédia no Rio Grande do Sul, que conquistou seu lugar como uma das maiores da história do país, está trazendo luz a temas que até aqui não ganhavam a devida atenção. Segundo informações do painel “Recursos para gestão de riscos e desastres”, mantido pelo TCU, os governos brasileiros gastam mais com ações de recuperação do que em prevenção para enfrentar fenômenos naturais. Ou seja, corremos atrás dos prejuízos e não priorizamos vidas.

De acordo com os dados, o Executivo deixou de aplicar 35,5% dos recursos destinados ao programa de Gestão de Riscos e Desastres da Defesa Civil em 11 anos, de 2012 a 2023. Do total de R$ 33,75 bilhões previstos no Orçamento da União para aplicação em ações de resposta, recuperação e prevenção, R$ 21,79 bilhões foram transferidos do governo federal para estados e municípios, o que representa 64,5%.

Iniciativas de reação e recuperação foram o destino da maior parte das verbas liberadas. Aqui, estão incluídas medidas como socorro às vítimas, restabelecimento de serviços essenciais, como água potável e limpeza urbana, a viabilidade de itens de higiene e alimentação e recuperações na infraestrutura. As ações de reconstrução e assistência somaram R$ 15,12 bilhões, ou 69,4%.

Os investimentos em prevenção, como em obras para evitar ou reduzir impactos de novos desastres ficaram em R$ 6 bilhões, ou 27,6% dos R$ 21,79 bilhões que chegaram aos cofres estaduais e municipais.

Veja o vídeo