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Aparentemente, o ingresso do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, no PSD, aumenta a confusão da direita na corrida pela presidência da República, e dificulta ainda mais as pretensões nacionais do governador Eduardo Leite. Tão logo a filiação de Caiado foi anunciada, começaram as especulações sobre se o gaúcho, que já estava em São Paulo, sabia ou não do novo movimento do presidente nacional. Na prática, porém, a jogada de Gilberto Kassab para ‘fechar’ todas as pontas, garantindo poder em qualquer que seja o resultado da eleição presidencial, não muda a situação do governador gaúcho, soubesse ele ou não de Caiado. Leite segue como ‘ficha 2’ do partido. Tanto para o caso de Ratinho Júnior concorrer ao Senado quanto para um cenário no qual as pesquisas apontem que um candidato que se apresente como ‘de centro’ pode performar bem na disputa. Não é por acaso que ele se apresenta desde sempre como um nome que não se alinha ao governo de Lula e nem ao bolsonarismo raiz. A ideia é ter uma opção para colher descontentes do centro para a direita, e há sempre números por trás dos movimentos de candidatos e partidos.
Pretensão nacional pode ajudar MDB
É fato que, de novo, o nome de Leite sequer consta nas sondagens de intenções de votos. Mesmo assim, o gaúcho tentará passar os próximos dois meses no aquecimento. Entre seus articuladores e os do vice-governador Gabriel Souza, pré-candidato governista do MDB à sucessão, a ideia passou a ser considerada como uma possibilidade de solução para diferentes questões. No caso dos apoiadores de Gabriel, a pretensão nacional do governador ajudaria de duas formas: a primeira, a de que ele deixaria o cargo para o vice, como era o plano inicial. A segunda, que o MDB gaúcho teria um candidato à presidência para chamar de seu, sem precisar entrar em debates sobre a permanência de parte do partido com Lula, o constrangimento de um diálogo explícito com Flávio Bolsonaro no primeiro turno ou a liberação dos filiados.
Gaúcho não tem nada a perder
Já Leite, defendem integrantes do governo, não teria nada a perder. Ao se dedicar a articulações nacionais, ele se afasta do fracasso das negociações para a manutenção da aliança que sustenta sua administração atual. Se conseguir entrar em uma disputa presidencial, mesmo perdendo, torna-se conhecido nacionalmente e sobe alguns degraus na escada que leva a 2030. E uma derrota, nesse caso, tem significado bem diferente daquele de arriscar perder uma eleição para o Senado após dois mandatos à frente do Executivo gaúcho.
CURTAS
- Como ainda é janeiro, a candidatura de Eduardo Leite ao Senado não está de todo descartada. Tudo ainda vai depender da evolução nas tratativas nos próximos dois meses. E elas incluem não só o cenário nacional como negociações dos palanques regionais.
- Quem duvida de que a ampliação do leque de ofertas de Gilberto Kassab é, pelo menos por enquanto, mais estratégia política de longo prazo do que projeto concreto de conquistar o Planalto, pode acompanhar a posição de lideranças de peso do PSD, que não dão indicativos de qualquer alteração.
- Por exemplo: está alinhado a Lula o prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato do PSD ao governo daquele estado, Eduardo Paes. O senador Otto Alencar é aliado histórico do presidente na Bahia. No Amazonas, Lula articula apoio à candidatura do senador Omar Aziz (PSD) ao governo.
- O PSD também segue no comando de três ministérios: Minas e Energia, Agricultura e Pesca.
