Taline Oppitz

Os desdobramentos pós-TSE

Após quatro sessões de julgamento, o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou inelegível, por cinco votos a dois

Foto : Guilherme Almeida

Condenado por cinco votos a dois pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou inelegível. A ministra Cármen Lúcia foi responsável pelo voto que construiu maioria na Corte contra o ex-presidente.

Último a se manifestar, o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, foi incisivo. Ele citou trechos da fala de Bolsonaro durante a reunião com embaixadores, base da ação do PDT, e os classificou como mentiras, afirmando que o “então presidente ataca a lisura do processo eleitoral que o elege há 40 anos”. Moraes disse ainda que “a Justiça Eleitoral, como toda Justiça, pode ser cega, mas não é tola”. O conteúdo do voto de Moraes, como de seus colegas, que levaram à condenação de Bolsonaro, certamente levarão, a partir da publicação do acórdão, a um incremento nas legislações eleitorais sobre fake news já para as eleições de 2024.

Ainda no campo jurídico, mesmo que vá ao Supremo, as chances de reversão da situação de Bolsonaro são escassas e improváveis. No terreno político, a decisão do TSE antecipa movimentos para as próximas eleições gerais. No campo da direita, está posto o desafio de encontrar nome que represente as bandeiras e a ala do eleitorado que está com Bolsonaro.

O capitão continuará viajando pelo Brasil e tentará manter a polarização estabelecida. O ex-presidente, em manifestação após o desfecho, reconheceu a inelegibilidade, mas já colocou em prática a estratégia de explorar o resultado colocando-se em papel de injustiçado.