Taline Oppitz

Pacote: medidas para amenizar resistências geraram confusão

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que os cortes de gastos não têm relação direta com a reforma da renda, mas já era tarde

Segundo Haddad, o governo não quer confundir “o tema da reforma tributária com o tema de medidas que visam a reforçar o arcabouço fiscal”
Segundo Haddad, o governo não quer confundir “o tema da reforma tributária com o tema de medidas que visam a reforçar o arcabouço fiscal” Foto : Diogo Zacarias/MF/CP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou as redes sociais, nesta quinta-feira, para defender o pacote de cortes de gastos, anunciado na véspera, no pronunciamento do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em rede nacional de rádio e TV.

“Ontem apresentamos uma política de contenção de gastos, porque temos que cumprir o arcabouço fiscal, e também uma proposta de revisão de imposto de renda que dará isenção para quem ganha até R$ 5 mil. Vamos garantir que a inclusão social siga com responsabilidade fiscal, para que os avanços conquistados pelas pessoas no seu nível de vida não retrocedam”, escreveu Lula.

Foram incluídas no pacote duas medidas que visam torná-lo menos indigesto: A isenção do Imposto de Renda para as pessoas que ganham até R$ 5 mil e a taxação, em 10%, para os que ganham acima de R$ 50 mil mensais, ou seja, R$ 600 mil por ano.

A estratégia, que visa minimizar resistências políticas ao pacote, no entanto, gerou reação imediata do mercado. Nesta quinta-feira, pela primeira vez na história, o dólar bateu R$ 6,00. A Bolsa de Valores, por sua vez, operou em baixa.

Na coletiva de ontem e na reunião no Congresso, Haddad afirmou que os cortes de gastos não têm relação direta com a reforma da renda e que o governo não quer confundir “o tema da reforma tributária com o tema de medidas que visam a reforçar o arcabouço fiscal”.

Já era tarde. Ao anunciar as iniciativas em conjunto, a confusão foi estabelecida. A ampliação na faixa de isenção do Imposto de Renda, que representará perda de valores pela União, mesmo com impacto político positivo, representa sinais antagônicos, que geram reação do mercado e garantem artilharia para a oposição.