Taline Oppitz

PDT promete ‘maior convenção da história’

Partido pretende, neste sábado, dar demonstração de força na corrida eleitoral do RS

O PDT gaúcho promete fazer “a maior convenção” de sua história na manhã deste sábado, 25, quando oficializa Juliana Brizola candidata ao governo do RS. As projeções tomam por base o número de inscritos no evento. Na verdade, são dois eventos, seguidos, na Casa do Gaúcho, e uma inscrição, o que ajudou a ampliar o público. Primeiro, ocorrerá a convenção trabalhista. Depois, o lançamento da coligação formada pelo PDT mais sete partidos. Na plataforma Sympla, o número de cadastrados já havia ultrapassado os 3,5 mil na tarde de ontem, com ingressos nos últimos lotes tanto para mandatários quanto para público em geral. Como cabem 5 mil no local, será instalado um telão do lado de fora. O PDT quer um evento com grande peso simbólico. Juliana vai focar na herança dos valores de Leonel Brizola e na força da coligação, inédita no Estado, com o discurso da “grandeza de colocar as diferenças de lado”. O deputado Luiz Marenco vai cantar o Hino Riograndense. O encerramento será embalado pelo Hino da Independência do Brasil, como sempre acontecia nos atos comandados por Brizola. Vai ter vídeo também. Do presidente Lula, gravado na convenção nacional do PDT, no dia 20. E de quando Brizola foi vice de Lula, na disputa presidencial de 1998.

Desventuras em série

Na política nacional, as expectativas estão voltadas para a convenção do PL, que acontece também na manhã deste sábado, na Arena Pacaembu, em São Paulo. Porque ela vai dar indicativos importantes sobre o sucesso ou infortúnio do senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ). Se Michelle Bolsonaro não for, o cenário fica mais complicado. Se o que aconteceu até aqui foi uma grande jogada e ela acabar candidata a vice, a situação muda. A convenção é a que vai oficializar Flávio como o candidato à presidência da República pela sigla. Mas, até a véspera, o PL seguia negociando o nome do vice, e sem aliança com qualquer outra legenda para a corrida presidencial. Flávio, em particular, é torpedeado por ex-aliados, precisa responder a mais de uma situação nebulosa envolvendo suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, atacou sem necessidade as urnas eletrônicas, troca ‘tapas e beijos’ públicos com a madrasta, foi desprezado pela federação PP/União Brasil, e assistiu o ministro André Mendonça, do STF, autorizar investigações da Polícia Federal sobre o dinheiro para o filme da vida do pai, Jair. E isso que a campanha ainda não começou. Apesar de tudo, a semana fechou com boa notícia para o senador. A pesquisa Datafolha divulgada no início da noite de sexta mostrou estabilidade nas suas intenções de voto.

Disputa paralela

Sondagens da semana que passou, que voltaram a mostrar o pré-candidato do MDB ao governo, Gabriel Souza, em terceiro lugar nas intenções de votos, mas com dois dígitos, fortaleceram entre articuladores emedebistas o entendimento de que sua estratégia está correta. Gabriel centra as críticas em um dos concorrentes: o candidato do PL, Luciano Zucco. O MDB prefere enfrentar Juliana Brizola (PDT) no segundo turno, por entender que, se tirar Zucco do páreo, absorve parcela significativa dos eleitores do deputado. O fato de o deputado responder a Gabriel é entendido, entre emedebistas, como prova de que está ‘sentindo o cutuco’.

Depende do ponto de vista

Apesar dos enfrentamentos recorrentes até aqui, Luciano Zucco (PL) começou a tentar se distanciar de uma disputa mais direta com o vice-governador. “Respeito, mas acho que a estratégia dele está errada e que não está dando certo. Talvez os marqueteiros estejam falando para ele quem é que ele deve atacar, já que é um candidato que não tem posição efetiva”, rebateu o deputado durante a convenção de seu partido nesta semana. Entre articuladores do PL, segue a avaliação de que Zucco e Juliana vão para o segundo turno, e de que os eventos climáticos são um complicador para Gabriel.

Aqui, não

Já o coordenador de campanha de Juliana Brizola, o ex-deputado Vieira da Cunha, apresenta uma terceira avaliação. De que Gabriel e Zucco se confrontam mais diretamente em função da dificuldade de ambos em avançar sobre o eleitorado da pedetista, e não por uma eventual facilidade em batê-la no segundo turno. “Aos que acham que ganham da Juliana, por enquanto só posso dizer que estão bem enganados. Mas eles já sabem disso”, afirma Vieira.