A polarização que marca a corrida presidencial deste ano está refletindo-se nas disputas estaduais. Não apenas em relação a temas que estão ficando em segundo plano nos debates. As eleições estaduais em si também têm recebido pouca atenção. As campanhas aos governos dos estados, mesmo com a realização de sabatinas, com debates e encontros promovidos por entidades da sociedade civil organizada e federações, além da cobertura da imprensa, parecem não ter despertado a atenção devida de ala do eleitorado, que não se inclui nos grupos de filiados, militantes ou simpatizantes.
Além da polarização, o cenário que indica o afastamento da população não é marca apenas da eleição deste ano. Em disputas anteriores, candidatos majoritários já mencionavam que as demandas de agendas com grupos privados era tantas que os compromissos que viabilizavam a aproximação direta com os eleitores, o bom e velho olho no olho, acabavam prejudicados.
A situação é ainda mais complexa devido à duração da campanha, de apenas 46 dias até o primeiro turno, em 2 de outubro, a mais curta desde 1994. A 31 dias da ida dos eleitores às urnas, no entanto, as estratégias na formulação das agendas devem começar a ser alteradas e eventos que permitam uma maior proximidade com o eleitorado devem acabar sendo priorizados.
Mesmo com a veiculação dos programas eleitorais de rádio e TV e das inserções ao longo das programações e em tempos de redes sociais, onde uma mensagem pode ser replicada em uma velocidade incrível, atingindo de forma rápida um número muito grande de pessoas, alguns riscos não podem ser ignorados pelas candidatos e suas coligações. Entre eles, o de acabar falando e atingindo apenas suas bolhas, que, em tese, já são formadas por eleitores cativos ou, no mínimo, simpatizantes.
