Taline Oppitz

Polarização segue como estratégia de Lula e Bolsonaro

Retorno do ex-presidente acirra as disputas políticas

Jair Bolsonaro falou com deputados, senadores e lideranças nesta quinta-feira
Jair Bolsonaro falou com deputados, senadores e lideranças nesta quinta-feira Foto : Handout / Partido Liberal / AFP

Considerando os movimentos de ambos os lados da polarização que marcou o cenário no país antes, durante e depois da corrida presidencial, não há perspectiva, no curto prazo, de distensionamento dos ânimos, muito menos de tentativa de unificação do Brasil. Em uma de suas primeiras manifestações depois de pisar em solo brasileiro, após cerca de três meses nos EUA, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o governo de Lula (PT) não irá fazer “o que bem quer do futuro da nossa nação”.

Logo que chegou, Bolsonaro falou com deputados, senadores e lideranças, deixou claro o foco nas eleições municipais e descartou que a esposa Michelle venha a disputar o Planalto. “Com todo o respeito, a senhora Michelle não tem essa vivência para aguentar uma batida dessas”, afirmou o ex-presidente, em entrevista à rádio Jovem Pan.

Do outro lado da trincheira, a estratégia é a de que Lula não responda às manifestações ou provocações de Bolsonaro, especialmente após o desgaste gerado por suas falas, na última semana, em relação ao senador Sergio Moro. O silêncio de Lula, no entanto, não significa movimento do PT para apaziguar o cenário. Pelo contrário. Lideranças próximas ao presidente é que irão protagonizar os embates.

A estratégia ficou clara com a divulgação de vídeo nas redes sociais, na véspera do retorno de Bolsonaro, com a manifestação da presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, em fala direta para o ex-presidente. “Venha ver como o Brasil melhorou na sua ausência”, disse a petista em trecho da gravação, que começa com um “olá, Bolsonaro! Está voltando?”. Além de listar ações do governo Lula como os programas Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Mais Médicos, a dirigente fez críticas ao sucessor, citando a atuação do Planalto durante a pandemia, a “farra das armas” e a vista grossa para o garimpo ilegal.