Taline Oppitz

PP: independentemente do desfecho no diretório no RS, o estrago está feito

Diretório estadual do partido convocou reunião para decidir estratégia eleitoral; clima bélico e racha se tornam cada vez mais evidentes

Pelo menos por enquanto, está mantida a convocação do diretório estadual do PP, para reunião, nesta terça-feira, às 14h, no Hotel Embaixador. Segundo o edital, devem ser votadas a candidatura própria, as possibilidades de aliança entre o MDB, de Gabriel Souza, e o PL, de Luciano Zucco, e ainda a permanência ou o desembarque do partido da base aliada do governo Eduardo Leite (PSD).

Os dois pré-candidatos do PP ao Piratini são o presidente estadual, deputado federal Covatti Filho, que fez a convocação, e o deputado estadual Ernani Polo, que defende o adiamento do encontro. O racha partidário, que já foi exposto publicamente, no entanto, nem de perto faz jus ao clima bélico que marca os bastidores.

Lideranças a favor do adiamento, e que anunciaram o boicote ao encontro, estão contatando integrantes do diretório e pedindo para que não compareçam ao encontro. Paralelamente, ligações também estão sendo realizadas visando não apenas a presença na reunião, mas ainda o voto a favor de uma aliança com Zucco.

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Lideranças do PL estariam participando da ofensiva, o que está contribuindo para aumentar ainda mais a temperatura. A votação é secreta e o desfecho imprevisível. Independentemente do resultado, que não deve ser legitimado, uma situação está posta. O estrago foi feito e o PP estará em frangalhos na pré-campanha.

“Quando tu coloca interesses pessoais acima dos partidários, se perde o foco. Isso terá um preço coletivo, para o partido, para a federação (entre PP e União Brasil), mas também um preço alto para o articulador desse desarranjo. Essa situação de atuação familiar é comum em outros estados, do Norte, do Nordeste. No Rio Grande do Sul não vai dar certo”, disse um líder do PP à coluna.

Consulta jurídica

Progressistas que solicitaram o adiamento da reunião do diretório, consultaram um advogado especialista em direito eleitoral, sobre a validade jurídica da decisão que será tomada na reunião desta terça-feira. A resposta foi que o estatuto estabelece que é competência da convenção estadual aprovar candidaturas, não do diretório, que apenas expressará uma opinião, sem validade jurídica.

A convenção estadual é formada pelos membros do diretório estadual, pelos presidentes municipais e ainda dois delegados de cada diretório municipal, ampliando para mais de mil os progressistas com direito a voto.