Mauren Xavier / Interina
Demorou pouco mais de 24 horas entre os atos de apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), no domingo, para que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), endurecesse as medidas restritivas contra o ex-presidente. Agora, Bolsonaro ficará em prisão domiciliar.
Não é possível dizer que a nova decisão foi uma surpresa. Afinal, esse tensionamento entre a decisão que obrigou Bolsonaro a usar a tornozeleira eletrônica e a prisão domiciliar durou duas semanas.
Neste período, o ex-presidente visitou o Congresso e exibiu para as câmeras a sua tornozeleira eletrônica. A imagem inundou as redes sociais. Moraes pediu explicações e disse que o alerta estava ligado. Visto que uma das medidas era a proibição do uso de redes sociais próprias e nem de terceiros.
Com o evento de domingo, quando Bolsonaro não saiu de casa (respeitando as restrições), mas acabou de certa forma participando por telefone nos atos. Um vídeo de Bolsonaro falando aos manifestantes reunidos em Copacabana (Rio de Janeiro) foi publicado no perfil oficial do senador Flávio Bolsonaro (STF).
No STF, a primeira avaliação de interlocutores de Moraes era a de que a publicação pode representar violação da medida cautelar. Foi o que ocorreu.
No documento é reiterado que, caso o ex-presidente volte a descumprir as medidas impostas, a prisão domiciliar será revogada e a prisão preventiva instituída.
A partir de agora, qualquer ação pode ser justificativa para a prisão. Episódio esse que, caso venha a ocorrer, será explorado politicamente por apoiadores e opositores.
