A decisão liminar do ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proibiu o uso das imagens do bicentenário da Independência nos programas eleitorais da coligação do presidente Jair Bolsonaro (PL) gerou efeitos imediatos. Nos campos jurídico e político.
Na decisão, tomada neste sábado, o ministro sustentou favorecimento eleitoral no uso de gravações feitas pela TV Brasil. Bolsonaro tem cinco dias para apresentar sua defesa. Com sucessivas convocações da militância para que fosse às ruas no dia 7, em sinal de apoio e como resposta aos atos em defesa da democracia, que ocorreram em agosto, e que foram atribuídos pelo Planalto à esquerda, os papéis de presidente e de candidato se fundiram.
Não há dúvidas de que foi uma demonstração de força de Bolsonaro. Mas até mesmo nos momentos dos atos institucionais, o viés eleitoral se impôs, e a coisa toda se transformou em um grande comício, do início ao fim. Bolsonaro ganhou o dia, e as imagens foram exploradas politicamente, como esperado, na campanha.
A Justiça Eleitoral, provocada pela coligação petista, agiu. No campo político, os desdobramentos, no entanto, tiveram o efeito contrário. Lideranças, militantes e simpatizantes de Bolsonaro começaram um movimento de reprodução à exaustão das imagens das centenas de milhares de pessoas que foram às ruas no dia 7 de setembro nas redes sociais. Mesmo que a decisão não seja revertida, as imagens já causaram o impacto desejado e bolsonaristas reforçaram a narrativa de perseguição pelo TSE.
