Considerando os resultados obtidos por Sebastião Melo (MDB) no primeiro e no segundo turnos da eleição em Porto Alegre, está evidente que os principais desafios do emedebista, que não teve a reeleição ameaçada nem mesmo pelas enchentes históricas, ainda estão por vir. Melo deixou claro que tem consciência do tamanho da empreitada na entrevista que concedeu ao Correio do Povo.
"A partir de hoje (ontem), há várias agendas. O desafio é fazer um governo melhor”, disse o prefeito.
Definitivamente, ele será mais cobrado e fiscalizado em função das novas promessas e dos problemas que persistem e que ele reconheceu durante a campanha, como as fragilidades e casos de corrupção em uma das áreas mais estratégicas para qualquer gestão: a educação.
A oposição na Câmara conquistou duas cadeiras a mais, chegando a 12 vereadores. Pode parecer pouco, mas o número é suficiente, por exemplo, para abrir CPIs, sem o apoio de dissidentes ou de independentes. A reconstrução, que passa não apenas pela recuperação dos locais mais atingidos da cidade, mas também pela reformulação dos sistemas de proteção contra as cheias, representará outra tarefa complexa e inédita.
A composição de forças no governo, entre os 11 partidos que o apoiaram, sendo que oito deles desde o primeiro turno, é outra empreitada anunciada e exigirá mais do que habilidade e paciência, mas também compreensão dos que ficarão descontentes.
O espaço do PL, da vice Betina Worm (foto), segundo Melo, será de destaque e proporcional ao do MDB. O papel da veterinária que se submeteu pela primeira vez às urnas ainda é uma incógnita. O prefeito disse que ainda não conversou com Betina e lembrou que, quando ele foi vice, não quis acumular o comando de uma secretaria, como ocorreu com Ricardo Gomes. Melo adiantou que não defende vice figurativo e que Betina terá papel relevante no governo.
