Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul no primeiro turno com 58,05% dos votos. É a segunda vez na história que a disputa acaba antes da segunda etapa no Estado. A primeira foi em 2010, com Tarso Genro (PT). Dezesseis anos depois, a vitória de Zucco foi construída com base em uma série de fatores, que envolvem pontos positivos pessoais dele, como o forte carisma, fragilidades de adversários em potencial, e o desempenho do PL e da direita nas eleições.
Homem próximo a Jair Bolsonaro e um líder da oposição mais do que aguerrido na Câmara dos Deputados, até pouco antes do início da eleição, Zucco remodelou e aprimorou o discurso, assumindo um tom mais moderado do que o exercido na trajetória como parlamentar. Acessou a maioria do eleitorado gaúcho. Zucco conseguiu ainda formar uma ampla aliança, com sete partidos, garantindo praticamente a metade do tempo dos programas eleitorais de rádio e TV e o maior número de inserções distribuídas ao longo das programações. Tempo, diga-se, muito bem aproveitado com a estratégia de comunicação eficiente da equipe de campanha. Não pode ser ignorado ainda o movimento antipetista em solo gaúcho, que vem se firmando como um estado alinhado ao bolsonarismo.
Esquerda sai derrotada e situação não deslancha
Pela terceira eleição consecutiva no Rio Grande do Sul, a esquerda foi derrotada. Nas duas últimas, ficou de fora do segundo turno, nesta, a disputa sequer chegou lá. Juliana Brizola, candidata do PDT, travou a primeira batalha antes mesmo do início da eleição, em uma novela que se arrastou por meses, e garantiu o apoio do PT, por determinação da cúpula nacional do partido, que pela primeira vez em sua história não teve candidato próprio no Estado.
A união forçada ainda na primeira etapa da eleição não pode ser ignorada na derrota da trabalhista. Apesar da ausência de pulverização de candidaturas, a campanha, na qual, aliás, Lula apareceu muito pouco, não foi capaz de fazer frente ao movimento contagiante deflagrado em torno de Luciano Zucco.
Candidato do governo e vice de Eduardo Leite (PSD), Gabriel Souza (MDB) não conseguiu romper a polarização, que no Rio Grande do Sul foi representada por Zucco e Juliana, apesar de ambos terem evitado ao máximo ataques mútuos ao longo da eleição. A campanha de Gabriel não empolgou e o conhecimento dele sobre as informações do Estado não foram traduzidas em uma linguagem capaz de atingir os eleitores. Os desgastes de naturais de dois mandatos de Leite, e um de José Ivo Sartori (MDB), que o antecedeu, também pesaram para o desempenho tímido do emedebista, que não se firmou diante da ala do eleitorado como uma alternativa viável e com fôlego para chegar a eventual segundo turno.
Dobradinha eficiente elege Sanderson e Van Hattem ao Senado
O desempenho surpreendente da direita no Rio Grande do Sul garantiu ainda a eleição de Sanderson (PL) e de Marcel van Hattem (Novo) para as duas cadeiras do Senado que estavam em jogo. As campanhas foram eficientes em reforçar a dobradinha, estabelecendo o voto casado e impedindo a migração para adversários. Contou ainda a favor dos agora senadores eleitos a exploração da crise no Supremo Tribunal Federal, com os discursos que já adotavam em seus mandatos na câmara dos deputados, contra a atuação de ministros da Corte.
