Taline Oppitz

Sem impeachment, eleição na Capital pode ganhar fator político complexo

Briga agora é por ligar no segundo turno


O prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) será notificado hoje, às 17h30, sobre seu depoimento à Comissão Processante da Câmara que analisa o pedido de impeachment contra ele. Marchezan tem a prerrogativa de definir data e local para receber o ofício. A partir da notificação, em 24 horas, seu depoimento pode ocorrer, portanto, amanhã, no mesmo horário da notificação. Como após o depoimento, a defesa do prefeito tem cinco dias para apresentar ao grupo as alegações finais, matematicamente, o processo de impeachment não terá o desfecho dentro do prazo de 90 dias, que termina na próxima segunda-feira, e, obrigatoriamente, será arquivado. Presidente da Comissão Processante, o vereador Hamilton Sossmeier, reconheceu que não há tempo hábil para finalizar o processo no prazo, o que inviabiliza seu avanço, mas afirmou que os trabalhos serão concluídos, apesar do arquivamento. “Recebemos a responsabilidade de realizar o trabalho e iremos até o fim. O relatório final será entregue, concluído, à presidência da Câmara, como prevê o rito”, disse, em entrevista ao programa ‘Esfera Pública’, da Rádio Guaíba.

Sem a sombra do impeachment, Marchezan deve se dedicar de corpo e alma à campanha nos dias que antecedem o primeiro turno. Segundo as últimas pesquisas de intenções de voto, Manuela D’Ávila (PCdoB), lidera, seguida por um segundo lugar indefinido, já que Marchezan, José Fortunati (PTB) e Sebastião Melo (MDB) estão tecnicamente empatados. Em tese, a briga agora é pela segunda vaga na próxima etapa da disputa, o que torna o cenário especialmente complexo, no campo político, para os demais partidos, até pouco tempo aliados, caso o tucano se habilite.