Taline Oppitz

Situação fiscal do Estado gera divergência entre atual e futuro governo

Cenário marcou audiência pública da Comissão de Finanças e deve ter reflexos no clima da transição

Pricilla Santana detalha situação fiscal em audiência pública Foto: Lucas Kloss / ALRS
Pricilla Santana detalha situação fiscal em audiência pública Foto: Lucas Kloss / ALRS

As divergências sobre a situação fiscal do Rio Grande do Sul, que envolvem o tamanho do déficit para 2027, como antecipado pela coluna, deram o tom na audiência pública da Comissão de Finanças da Assembleia, nesta quinta-feira. O cenário deve ainda ter reflexos no clima da transição.

Além de parlamentares, estavam presentes no encontro os secretários chefe da Casa Civil, Ranolfo Vieira Júnior, representando o governador Eduardo Leite (PSD), do Planejamento, Danielle Calazans, e da Fazenda, Pricilla Santana. Em sua manifestação, Ranolfo destacou a transparência e o compromisso da atual gestão na elaboração de um orçamento “sem maquiagem”. Os secretários detalharam a situação fiscal, classificada como “frágil” e “desafiadora”, mas descartaram a possibilidade de atraso nos salários, considerando o fluxo de recursos.

Relator do projeto do orçamento e provável secretário da Fazenda do próximo governo, Cláudio Branchieri (PL), repetiu na audiência o que havia dito à coluna, que o cenário desenhado na proposta, que classificou como fictícia, depende de uma série de fatores que não estão nas mãos do Piratini. Segundo ele, não é preciso um tornado para destruir o equilíbrio fiscal, “basta uma brisa porque esse equilíbrio não existe”.

À tarde, durante a inauguração da nova sede da Polícia Penal, o governador Eduardo Leite (PSD) abordou o assunto. Ele fez um breve histórico de como recebeu e de como entregará o governo. “A sinalização, por emissários do futuro governo, de que o Estado possa voltar a atrasar salários ali na frente, não posso deixar, diante dos nossos servidores, de falar, com absoluta responsabilidade, sobre esse assunto. Assumi o governo, em 2019, com duas folhas em atraso, além de R$ 1,2 bilhões atrasados para hospitais e fornecedores. Vamos entregar o governo não apenas com o 13º pago antecipado, salários de dezembro pagos, investimentos rodando, e com mais de R$ 12 bilhões nas devidas contas que têm as finalidades específicas”, disse Leite.