Taline Oppitz

Temendo condenação iminente, bolsonaristas focam em anistia

A narrativa sustentada pelas lideranças é a mesma que já vinha sendo utilizada: que Bolsonaro é uma vítima e alvo de perseguição política que envolve diversas instâncias

Jair Bolsonaro restringiu sua manifestação às redes sociais
Jair Bolsonaro restringiu sua manifestação às redes sociais Foto : Sérgio Lima / AFP / CP

O dia seguinte à apresentação da denúncia, pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas, como esperado, foi marcado por uma série de movimentos e manifestações em defesa do ex-presidente. A narrativa sustentada pelas lideranças é a mesma que já vinha sendo utilizada ao longo das investigações da Polícia Federal: que Bolsonaro é uma vítima e alvo de perseguição política que envolve diversas instâncias da República.

A partir de agora, no campo jurídico, caberá às defesas dos denunciados lutar para comprovar que seus clientes são inocentes. No terreno político, os movimentos que marcaram a quarta-feira reforçam as principais estratégias visando proteger Bolsonaro em diversas frentes.

Lideranças da oposição, que participaram de coletiva ontem à tarde, foram municiadas por documento, de quatro páginas, com argumentos jurídicos para serem utilizados contra a denúncia. No ato, em que foi repetida a narrativa da perseguição política, ficou claro que uma das principais apostas, diante da análise, por ora restrita aos bastidores, de que Bolsonaro não escapará da condenação, é a aprovação da proposta de anistia.

Lideranças que participaram da coletiva seguravam cartazes com os dizeres “Perseguição política” e “Anistia já”. O grupo lançou ainda um manifesto em “Defesa da Democracia e da Liberdade no Brasil”.

Na terça-feira, após reunião com a oposição no Senado, Bolsonaro havia afirmado que estava tranquilo com a possibilidade de ser denunciado e que o texto da anistia era uma prioridade. O ex-presidente disse ainda que acreditava ter os votos necessários na Câmara para aprovar a proposta. Neste cenário, pós denúncia, além da anistia, o projeto que flexibiliza a Lei da Ficha Limpa também se torna ainda mais estratégico.

Ontem, após reunião na casa do líder da oposição na Câmara, o deputado federal gaúcho Luciano Zucco (PL), Bolsonaro restringiu sua manifestação às redes sociais. “O mundo está atento ao que se passa no Brasil. O truque de acusar líderes da oposição democrática de tramar golpes não é algo novo: todo regime autoritário, em sua ânsia pelo poder, precisa fabricar inimigos internos para justificar perseguições, censuras e prisões arbitrárias”, disse trecho da publicação do ex-presidente.

Gaúchos são protagonistas na tropa de choque

Parlamentares gaúchos estão entre os protagonistas da tropa de choque de Bolsonaro. Entre eles, estão os deputados federais Luciano Zucco, um dos homens mais próximos do ex-presidente, Giovani Cherini e Bibo Nunes, todos do PL, e Osmar Terra, eleito pelo MDB, mas com a mala pronta para se filiar ao partido do ex-presidente. O senador Luis Carlos Heinze (PP) também integra o grupo.

Denúncia contra Bolsonaro dará fôlego a atos

Organizadas há algum tempo, as manifestações marcadas para 16 de março, em diversas capitais, irão incluir a defesa do ex-presidente. Originalmente, as pautas principais dos atos eram a anistia e o pedido de impeachment de Lula. A denúncia contra Bolsonaro, aliás, garantirá fôlego às mobilizações.