Flavia Bemfica/Interina
Apesar do nervosismo da semana, e da divulgação de duas pesquisas que já tentaram sinalizar os impactos das ações de Donald Trump sobre o cenário eleitoral brasileiro, o jogo mal começou. A aprovação do governo, o desempenho de Lula e a popularidade do bolsonarismo ainda estão para ser medidos. E vão depender muito deste segundo semestre de 2025. Que, para valer, na política, começa nesta sexta-feira, com a retomada dos trabalhos do STF.
Na próxima semana, é o Congresso que volta do recesso. O fato é que, para além dos reflexos do tarifaço na economia, e das medidas a serem anunciadas pelo governo para conter os danos, há um conjunto de temas capitais que influenciarão os humores da Nação, e eles vão do julgamento de Jair Bolsonaro (PL) aos debates sobre a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, passando pela taxação dos super-ricos.
Os efeitos do tarifaço vão obrigar o governo a guardar a bandeira do fim da jornada 6x1, que planejava desfraldar neste semestre, e que, como já demonstraram as pesquisas, tem um apoio popular robusto, apesar da resistência forte no Congresso e entre os setores produtivos? E o que terão a dizer, claramente, sobre fim da jornada, taxação de super-ricos, anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, alterações no STF e possibilidade de uma nova reforma da previdência os candidatos às eleições de 2026? Antes que o ano termine, e para desgosto de parte do mundo político, a questão climática voltará ao centro das notícias no país, com a realização, em novembro, da trigésima Conferência do Clima da ONU, a COP30. É para ser em Belém, no Pará, e estabelecer avanços para o Brasil e o planeta.
Isso se os governos (federal e do Pará) e os organizadores conseguirem pôr fim ao vexame do momento: a solicitação de duas dezenas de países para que pelo menos parte do evento ocorra em outra cidade. O pedido foi feito porque estão na estratosfera os preços de hospedagem em Belém (eles começaram a disparar há meses, pelo simples anúncio da conferência), e porque há o entendimento de que, até agora, não existem condições adequadas de logística na cidade.
