Taline Oppitz

Vandalismo, invasões e crimes no centro do poder do Brasil

A tentativa de tomada do poder pela força é a tentativa de um golpe.

A tentativa de ação preventiva do ministro da Justiça, Flávio Dino, de acionar antecipadamente as forças federais disponíveis em Brasília e no Distrito Federal, para conter movimentos contra a democracia e o resultado das eleições, acabou frustrada. As ações já vinham acontecendo de forma dispersa nos últimos dias e chegaram ao ápice, neste domingo, com a invasão dos prédios dos três poderes da República por grupos bolsonaristas, que reuniram milhares.

A narrativa dos defensores desses atos até aqui caiu por terra. O grave episódio, com repercussão internacional, evidenciou investidas violentas, vandalismos e crimes, na prática, sendo cometidos em nome da Pátria, em um discurso que não para em pé. O ato, anunciado, o efetivo policial e a forma de ação para conter a invasão evidenciam ainda descaso do governo do DF.

A tentativa de tomada do poder pela força é a tentativa de um golpe. E não irá prosperar em função da atuação das instituições, que já defendiam intervenção federal no meio da tarde devido à gravidade das ações. Se faltava algo para uma investida mais incisiva contra os atos, agora todas os limites foram ultrapassados. Defesas do ex-presidente Jair Bolsonaro, de atuar dentro das quatro linhas da Constituição, também foram por água abaixo.

Bolsonaro está fora do país, mas sempre que pôde fez discursos dúbios, que acabaram por inflamar seus militantes. O que se viu em Brasília, exatamente uma semana após a posse de Lula, de invasão e quebradeira no Congresso, do Supremo Tribunal Federal e do Planalto, são ações inconstitucionais e criminosas. O Brasil passou a ter para chamar de seu um episódio que entrou para a história, manchando a democracia americana, que foi a invasão do Capitólio em janeiro de 2021. As similaridades não são meras coincidências.

Resta saber o que será feito por aqui. A demissão do secretário de Segurança do DF, Anderson Torres, deve ser apenas o início das responsabilizações que precisam ocorrer, como o pedido de prisão da AGU. No fim do dia, o presidente Lula fez uma forte manifestação, classificando o episódio como sem precedentes e afirmando que os vândalos e seus financiadores serão punidos. Lula decretou ainda a intervenção federal na segurança do DF.